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sábado, 11 de fevereiro de 2012

6 DOMINGO DO TEMPO COMUM


O MESSIAS E OS MARGINALIZADOS

A exclusão está na moda, virou princípio da organização socioeconômica: a lei do mercado, da competitividade. Quem não consegue competir, desapareça. Quem não consegue consumir, deve sumir. Escondemos favelas por trás de paredões ou placares de publicidade. Que os feios, os aleijados, os idosos, os aidéticos não poluam os nossos cartões postais!

Em tempos idos, a exclusão muitas vezes provinha da impotência ou da superstição. Assim a exclusão dos cegos e coxos do templo de Jerusalém. Ou a marginalização dos leprosos, ilustrada abundantemente em Lv 13–14 (cf. 1ª leitura). Enquanto não se tivesse constatado a cura por um complicado ritual, o leproso era considerado impuro, intocável. Jesus, porém, toca no leproso – e o cura (evangelho). É um sinal do Reino de Deus. Jesus torna o mundo mais conforme ao sonho de Deus. Pois Deus não deseja sofrimento nem discriminação. O Antigo Testamento pode não ter encontrado outra solução para esses doentes contagiosos que a marginalização; mas Jesus mostra que um novo tempo começou.

Começou, mas não terminou. Reintegrar os marginalizados não foi uma fase passageira no projeto de Deus, como os benefícios que os políticos realizam nas vésperas das eleições. O plano messiânico continua através do povo messiânico, como se concebe a Igreja. Devemos continuar inventando, quando pudermos, soluções contra toda e qualquer marginalização. Pois somos todos irmãos e irmãs.

Seremos impotentes para excluir a exclusão, como os antigos israelitas em relação à lepra? Que fazer com os criminosos perigosos, viciados no crime? Será nosso mundo tão bom que possa reintegrar tais pessoas, sem que se enrosquem de novo? O fato de ter de marginalizar alguém é um reconhecimento da não-perfeição de nossa sociedade. Toda forma de marginalização é uma denúncia contra nossa sociedade, e ao mesmo tempo um desafio. Isso é muito mais ainda o caso em se tratando de pessoas inocentes. A marginalização é sinal de que não está acontecendo o que Deus deseja. Onde existe marginalização, o Reino de Deus ainda não chegou, pelo menos não completamente. E aonde chega o Reino de Deus, a marginalização não deve mais existir. Por isso, Jesus reintegra os marginalizados, como é o caso do leproso, dos pecadores, publicanos, prostitutas… Essa reintegração está baseada no poder-autoridade que Jesus detém como enviado de Deus: “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc 1,40). Jesus passa por cima das prescrições levíticas, toca no leproso e “purifica”-o por sua palavra em virtude da autoridade que lhe é conferida como “Filho do Homem” (= “executivo” de Deus, cf. Mc 2,10.28).

Há quem pense que os mecanismos auto reguladores do mercado são o fim da história e a realização completa da racionalidade humana. E os que são (e sempre serão) excluídos por esse processo, onde ficam? Não será esse raciocínio o de um varejista que se imagina ser o criador do universo? A liturgia de hoje nos mostra outro caminho, o de Jesus: solidarizar-se com os marginalizados, os excluídos, tocar naqueles que a “lei” proíbe tocar, para reintegrá-los, obrigando a sociedade a se abrir e a criar estruturas mais acolhedoras. Mais messiânicas.

(Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. É Colunista do Dom Total).

sábado, 25 de junho de 2011

O AMOR MAIOR

Mt 10,37-42
"Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. "Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem receber um profeta por ele ser profeta, terá uma recompensa de profeta. Quem receber um justo por ele ser justo, terá uma recompensa de justo. E quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não ficará sem receber sua recompensa".


Jesus exige ter um lugar preponderante na vida do discípulo. Este, porém, é desafiado a compreender o sentido dessa pretensão do Mestre. Fica descartada qualquer compreensão que signifique pensar o discípulo dependente dos caprichos do Mestre e suas imposições descabidas. Em momento algum, Jesus deixou-se levar por seus gostos e interesses. Tudo estava referido ao Pai.


Assim, amar a Jesus significa acolher a revelação do Pai, feita através de suas palavras e ações. E, mais, dar ouvidos aos ensinamentos voltados para as exigências do Reino, cujo objetivo é o de levar o discípulo a centrar-se sempre mais no Pai e na sua divina vontade. O amor do discípulo, voltado para o Mestre, tem como alvo o Pai.

Na eventualidade de haver conflito entre o ensinamento de Jesus e o que vem do pai terreno ou da mãe, do filho ou da filha, o discípulo sabe de que lado ficar. De forma alguma, o querer dos familiares sobrepujará o do Pai do céu. Caso isso aconteça, será indigno de se dizer discípulo de Jesus. A dinâmica do discipulado terá sido desfeita em sua vida. O discípulo fiel não terá medo de contrariar pai e mãe, se estes não estiverem sintonizados com o Reino.

Oração
PAI, QUE TEU FILHO E SEUS ENSINAMENTOS TENHAM PREPONDERÂNCIA EM MINHA VIDA, RELATIVIZANDO TUDO QUANTO NÃO CONDIGA COM TEU QUERER DIVINO.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

Lc 1,57-66.80
"Quando se completou o tempo da gravidez, Isabel deu à luz um filho. Os vizinhos e os parentes ouviram quanta misericórdia o Senhor lhe tinha demonstrado, e alegravam-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: "Não. Ele vai se chamar João". Disseram-lhe: "Ninguém entre os teus parentes é chamado com este nome!" Por meio de sinais, então, perguntaram ao pai como ele queria que o meninos e chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome!" E todos ficaram admirados. No mesmo instante, sua boca se abriu, a língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. Todos os que ouviram a notícia ficavam pensando: "Que vai ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. O menino crescia e seu espírito se fortalecia. Ele vivia nos desertos, até o dia de se apresentar publicamente diante de Israel".


João Batista é o único santo, além da Virgem Maria, que se celebra o nascimento tanto para a terra, quanto para o céu. Segundo os evangelhos, é o maior dos profetas (Lc 7, 26-28), porque pôde apresentar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29. 36). Sua vocação reveste-se de acontecimentos extraordinários, repletos de júbilo messiânico, que preparam o nascimento de Jesus (cf. Lc 1, 14. 58). João é precursor de Cristo pela palavra e pela vida (Mc 3, 11). A data da festa, três meses após a Anunciação do Senhor, e seis meses antes do Natal, corresponde às indicações de Lucas (Lc 1, 36. 56-57). Era filho de Zacarias e de Isabel.
Esta narrativa pode ter sua origem dentre os discípulos de João Batista, onde circulava após sua morte. Fica realçada a originalidade de João Batista: "Que vai ser deste menino?" Zacarias era sacerdote do templo de Jerusalém. João, filho único, deveria receber o nome do pai, bem como manter a sua linhagem sacerdotal hereditária. Contudo, conforme o anúncio do anjo, o nome que lhe dão é João. Um nome diferente que já prenuncia a ruptura com o sacerdócio e com o templo de Jerusalém. No Segundo Testamento, depois do nome de Pedro, o nome de João Batista é o mais citado, ultrapassando muito as demais ocorrências dos nomes dos próprios apóstolos.

Oração
PAI, TOMA-ME SOB A TUA PROTEÇÃO E ROBUSTECE-ME COM O TEU ESPÍRITO, DE MODO QUE EU POSSA CUMPRIR, COM CORGEM E FIDELIDADE, AS TAREFAS DO REINO QUE ME SÃO CONFIADAS.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A VERDADEIRA COMIDA

Jo 6,51-58
"Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo". Os judeus discutiam entre si: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?" Jesus disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, assim aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram - e no entanto morreram. Quem se alimenta com este pão viverá para sempre".



A solenidade do Corpo de Cristo confronta o discípulo com um traço essencial de sua identidade: o corpo do Mestre é a fonte de onde se alimenta. Porém, é preciso compreender, corretamente, do que se trata para evitar mal-entendidos, como no início do cristianismo, quando os cristãos foram acusados de canibalismo.


Trata-se de uma experiência espiritual. O discípulo é chamado a conformar sua vida com a do Mestre. É a assimilação do modo de ser do Mestre, no que tem de comunhão com o Pai e disposição para ser, em tudo, obediente a seu querer. É a solidariedade misericordiosa com os sofredores deste mundo, a quem se acode com gestos concretos de solidariedade. É a liberdade diante das coisas mundanas, com a disposição de contrariá-las sempre que estiverem na contramão do Reino.


A Eucaristia cristã é o sacramento da disposição de se deixar alimentar pelo Corpo de Cristo e ser transformado por ele. A abertura para Deus e o trato misericordioso com o próximo serão as indicações autênticas de que o discípulo foi alimentado com o corpo do Mestre.



Oração

PAI, QUE O CORPO DE CRISTO SEJA O ALIMENTO QUE RADICALIZE MINHA COMUNHÃO CONTIGO E ME TORNE SEMPRE MAIS SOLIDÁRIO COM OS CARENTES DE MISERICÓRDIA.

domingo, 19 de junho de 2011

DEUS REVELADO POR JESUS

Jo 3,16-18
"De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê nele não será julgado, mas quem não crê já está julgado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus".



A fé do povo de Israel baseou-se, desde o iníio, numa concepção pessoal de Deus. A experiência fundante foi a saída do Egito, terra da escravidão, em direção à Terra Prometida, terra de fraternidade. Esta experiência de libertação é determinante para a teologia bíblica. Tudo decorrerá daí. O Deus libertador é quem dá a Lei a Israel; garante a conquista da terra; oferece um rei ao povo; castiga o povo, quando erra. Sobretudo, está sempre pronto a perdoar, cada vez que o pecador se dispõe à conversão.


Este é o ponto de partida para a "fé" de Jesus. Entretanto, ele vai muito além, revelando o rosto do Deus Trindade. Não se trata de outro Deus. É, simplesmente, a comunicação da forma como experimentava Deus em sua vida. Reconhecia-o ser o Pai, que o acolheu como Filho amado, de modo que a humanidade do Filho passou a fazer parte da realidade do Pai. E, mais, o Espírito Santo que une o Pai e o Filho é doado à humanidade, como força para incentivar a caminhada, nos passos do Filho.


Cada discípulo é chamado a fazer experiência semelhante á do Mestre. De certa forma, o discipulado consuma-se quando se atinge a imagem de Deus revelada por Jesus e, mais, é tranformada em projeto de vida. Afinal, os discípulos são chamados a se inspirar no modo de ser da Trindade nas relações interpessoais. A fé cristã, portanto, está totalmente ligada à ética dos discípulos. Quanto mais reconhecem o Deus revelado por Jesus, tanto mais se esforçam por viver o mesmo amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.



Oração


PAI, QUE A COMPREENSÃO DE TIA IDENTIDADE, RVELADA PELO FILHO JESUS, LEVE-ME A CONFORMAR A MINHA VIDA COM A FÉ, DE MODO A ME PAUTAR SEMPRE PELO AMOR TRINITÁRIO.

sábado, 18 de junho de 2011

A OPÇÃO FUNDAMENTAL

Mt 6,24-34
"Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida; nem com o que vestir, quanto ao vosso corpo... Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles?... Olhai como crescem os lírios do campo. Não trabalham, nem fiam... Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã..."



Na raiz de todas as ações do discípulo do Reino, está a decisão por Deus e pelo querer divino. É a rejeição radical de toda e qualquer idolatria, que coloca as criaturas no lugar de Deus. A vida do discípulo decorre da opção fundamental e concretiza-se como obediência ao Pai e recusa dos apelos que estão na contramão de sua vontade.


O cotidiano do discípulo comporta inúmeras escolhas, de diferentes tipos. Em todas elas, encontram-se traços da opção fundamental. Exige-se dele muita atenção para não se quivocar. Caso contrário, com muita facilidade, perderá o rumo da caminhada.



Oração

PAI, REFORÇA NO MEU ÍNTIMO A OPÇÃO POR TI E POR TUA SANTA VONTADE, DE MANEIRA QUE NÃO ME PERCA NA CAMINHADA PARA TI.

sábado, 11 de junho de 2011

OS SINAIS DO REINO

Mt 10,7-13
"No vosso caminho, proclamai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro à cintura; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, procurai saber quem ali é digno e permanecei com ele até a vossa partida. Ao entrardes na casa, saudai-a: se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz".



Este texto é uma parte da narrativa do envio missionário dos doze apóstolos. Mateus, conforme a estrutura literária de seu evangelho, apresenta este envio na forma de um longo discurso de Jesus. Encontramos aí um perfil da ação missionária nas primeiras comunidades, com o conteúdo da proclamação e a prática a ser exercida nas comunidades de destino. Após chamar os doze discípulos, Jesus os envia em missão, dando-lhes suas orientações. As palavras dos discípulos serão as próprias palavras de Jesus. Quem não os escutar está rejeitando o próprio Jesus e a sua paz. Os sinais do Reino são curas, ressurreições, purificações e expulsões dos demônios. Enquanto sinais indicam que Jesus veio para levantar os abatidos, promover a vida e a integração social entre os pobres excluídos, libertando-os das ideologias do mundo do dinheiro que oferece falsos valores e promessas de segurança. Pelo despojamento, o discípulo dá testemunho da ruptura com este mundo e testemunha sua participação no Reino dos Céus já presente entre homens e mulheres, porém nem sempre percebido.

Oração


PAI, FAZE DE MIM UM INSTRUMENTO PARA A CONSTRUÇÃO DA PAZ DESEJADA POR JESUS. PAZ QUE SE CONTRÓI NA COMUNICAÇÃO DOS BENS DIVINOS A CADA PESSOA HUMANA.
Pe. José Raimundo Oliveira,SJ

terça-feira, 7 de junho de 2011

SOU GLORIFICADO NELES!

Jo 17,1-11a
"Assim Jesus falou, e elevando os olhos ao céu, disse: "Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique, assim como deste a ele poder sobre todos, a fim de que dê vida eterna a todos os que lhe deste. (Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste.) Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer. E agora Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mu
ndo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que, do mundo, me deste. Eles eram teus e tu os deste a mim; e eles guardaram a tua palavra... e reconheceram que eu saí de junto de ti e creram que tu me enviaste. Eu rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Eu já não estou no mundo; mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti".

A glória de Jesus pelo Pai encontra correspondência na glória recebida do testemunho de vida dos discípulos. A dinâmica é semelhante. Assim como o Filho é glorificado pela obediência ao Pai, da mesma forma é glorificado quando os discípulos são radicais no seguimento do Mestre, em meio a sofrimentos e à tentação de romper o compromisso com o Reino e bandear-se para o caminho da impiedade; quando, deixando de lado ambições pessoais, se dispõem a tudo perder, contanto que a fidelidade ao projeto de Jesus seja garantida; quando o seu modo de proceder refaz, na história, as palavras e os gestos do Mestre. Portanto, a vida do discípulo fiel é a verdadeira glorificação do Mestre Jesus.

Oração
PAI, QUE MEU MODO DE PROCEDER GLORIFIQUE TEU FILHO JESUS, QUANDO LHE SIGO OS PASSOS NAS TRILHAS DO AMOR E DA MISERICÓRDIA.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O MUNDO VENCIDO

Jo 16,29-33
"Os seus discípulos disseram: "Agora, sim, falas abertamente, e não em figuras. Agora vemos que conheces tudo e não precisas que ninguém te faça perguntas. Por isso acreditamos que saíste de junto de Deus!" Jesus respondeu: "Credes agora? Eis que vem a hora, e já chegou, em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis sozinho. Mas eu não estou só. O Pai está sempre comigo. Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo".


A morte de cruz configurou-se como um desmentido da afirmação de Jesus: "Eu venci o mundo". O final de sua caminhada terrena apresenta-se crucificado, portanto, vencido pelo poder da maldade, encarnado na ação desapiedada dos inimigos. Ele teria sido impotente para fazer frente e pôs limites à violência que lhe ra infligida.

O sentido da declaração de Jesus deve ser buscado noutra direção. Deveras, foi vencedor do mundo ao não se dobrar ao poder do mal, nem se deixar desumanizar diante da crueldade com que sua morte foi perpetrada. Nenhum traço de ódio ou desejo de vingança tomou conta de seu coração ao se ver vitimado pela sentença de um tribunal privado de legitimidade. Antes, mesmo pendente na cruz, teve palavras de perdão para os algozes e de acolhida para o companheiro de suplício, que foi capaz de reconhecer a iniquidade cometida contra um justo, Jesus de Nazaré. Por fim, com serenidade de espírito, entregou a vida nas mãos do Pai, como sinal de missão levada a cabo.

O mundo da maldade venceu-o só aparentemente. A vitória coube a quem manteve intacta a fidelidade ao Pai e foi-lhe obediente, sem cair na tentação de se dobrar à pressão dos adversários. Este é o caminho pelo qual os discípulos, também, podem vencer o mundo, inspirados no testemunho do Mestre.



Oração
PAI, COMO TEU FILHO JESUS, QUERO SER VENCEDOR DO MUNDO, FAZENDO-ME OBEDIENTE A TI, SEM CAIR NA TENTAÇÃO DA INFIDELIDADE.

domingo, 5 de junho de 2011

ASCENSÃO DE JESUS

Os discípulos recebem de Jesus o mandato

Mt 28,16-20

"Os onze discípulos voltaram à Galiléia, à montanha que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, prostraram-se; mas alguns tiveram dúvida. Jesus se aproximou deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que
estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos".

Maria Madalena e a outra Maria chegando ao túmulo de Jesus, ao raiar do primeiro dia da semana, encontraram um anjo que lhes anuncia que Jesus não está ali, pois ressuscitou. E o anjo completa dizendo-lhes que Jesus precedia os discípulos na Galiléia, para onde eles deveriam se dirigir. A seguir o próprio Jesus vem ao encontro delas e também lhes comunica que elas devem anunciar aos discípulos que se dirijam para a Galiléia (Mt 28,1-10). O retorno dos discípulos à Galiléia, que é mencionado também nos evangelhos de Marcos e João, indica a continuidade da missão aí inaugurada por Jesus. Na Galiléia, encontram Jesus na montanha. Na montanha Moisés recebera de Deus os mandamentos da Lei para o povo de Israel. Por sua vez, sobre a montanha Jesus proclamara às multidões os mandamentos das bem-aventuranças. Agora, na montanha os discípulos recebem de Jesus o mandato para a missão a todas as nações gentílicas. O contexto indica que o ressuscitado é o próprio Jesus de Nazaré, que continua presente entre os discípulos, até o fim dos tempos. A missão vai gerar novos discípulos. A iniciação do discipulado se dá com o batismo. João Batista deixou a marca do seu anúncio do batismo para a conversão à prática da justiça que supera o pecado. Jesus assumiu, no Espírito Santo, o batismo de João como a expressão do amor de Deus e a integração na vida divina. Jesus, que iniciara seu magistério com o batismo de João, agora envia os discípulos a batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em sua missão os discípulos serão iluminados pelo Espírito Santo, que é o espírito da verdade que Deus infunde nos corações (cf. segunda leitura). A missão se dará em um mundo dominado pelos poderosos que se enriquecem cada vez mais, insensíveis exploradores dos pobres que produzem as riquezas. Os discípulos são enviados para testemunhar o que receberam de Jesus, tudo que ele havia ordenado. É a continuidade do ministério de Jesus de Nazaré. Ao longo dos sucessos ou das dificuldades, os discípulos terão a presença confortante de Jesus, até o fim dos tempos. De maneira diferenciada dos demais evangelistas, no evangelho de Lucas (Lc 24,49-53) e em Atos dos Apóstolos (primeira leitura), a recomendação é de que os discípulos permaneçam em Jerusalém, e a subida aos céus acontece ou em Betânia (Lc 24,50) ou no monte das Oliveiras, nas vizinhanças de Jerusalém (At 1,12). Com isto Lucas privilegia a comunidade de Jerusalém em seu papel centralizador nas origens da Igreja. (Pe. José Raimundo Oliveira, SJ)

Oração

PAI, QUE A CERTEZA DA PRESENÇA DE TEU FILHO JESUS SEJA ESTIMULO PARA O CUMPRIMENTO DA MISSAO QUE RECEBI: A DE PROCLAMAR O REINO A TODOS OS POVOS.

sábado, 4 de junho de 2011

VOU PARA O PAI

Jo 16,23b-28
"Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vos dará. Até agora, não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. "Eu vos falei estas coisas por meio de figuras. Vem a hora em que não mais vos falarei em figuras, mas vos falarei claramente do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome. E não digo que eu rogarei ao Pai por vós. Pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que saí de junto de Deus. Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo, deixo o mundo e vou para o Pai".

A existência de Jesus esteve totalmente ligada ao Pai. Resultava, daí, a consciência de ser Filho amado, a qual se expressava em seus ensinamentos e ações, manifestações da misericórdia do Pai pela humanidade.

Outro elemento da consciência de Jesus dizia respeito à condição de enviado. Ele estava no mundo com uma missão bem precisa. E a ela consagrou todas as suas forças, até o limite da morte de cruz. Em nada se poupou, em se tratando de realizar o querer do Pai, que indicava o norte de sua existência.

Competia-lhe regressar para junto de quem o enviou, uma vez concluída a tarefa recebida. E se apresentar a ele, como enviado fiel.

E os discípulos, chamados para estar com ele e seguí-lo nas longas caminhadas? Na ausência do Mestre, o que deveriam fazer? Manter-se unidos, apesar da ausência do Mestre? Dar por terminada uma experiência de fraternidade em torno dele? Eram todas perguntas que brotavam no coração dos que faziam parte do grupo, cuidadosamente instruído para dar continuidade à missão do Mestre, porém confuso diante da realidade de não tê-lo mais consigo. Situação dramática para quem colocara em Jesus toda a sua esperança.


Oração
PAI, CONSERVA ACESA NO MEU CORAÇÃO A CHAMA DO DISCIPULADO, QUE ME MANTÉM FIRME NO SEGUIMENTO DE TEU FILHO, COMO CONTINUADOR DE SUA MISSÃO.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ALEGRIA SEM FIM

Jo 16,20-23a
"Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria. Naquele dia, não me perguntareis mais nada".


Embora o sofrimento e as perseguições façam parte da vida do discípulo, a alegria é um componente indispensável. Deixar-se levar pela tristeza e pelo pessimismo é o caminho inverso do discipulado. Aliás, este pode ser um critério para identificar o verdadeiro discípulo.


A alegria do discípulo não é a mesmo do ingênuo ou do incauto, os quais se alegram por não terem consciência do que acontece a seu redor; ou então, por motivos banais, sem nenhuma importância. Um exemplo de alegria oca é a dos vencedores de concursos fúteis de televisão. Os indivíduos pulam de contentamento por ter respondido corretamente uma pergunta boba, por ser um passo para receber um prêmio irrelevante.


O discípulo tem motivo para se alegrar por ser capaz de perseverar na fé, com a força do Espírito que lhe foi dado, e, assim, manter-se fiel ao Pai. Essa alegria vem do fundo do coração e jamais terá o reconhecimento do mundo. Na opinião de quem não é discípulo, parecerá uma alegria insensata, por ser combinar sofrimento e alegria, fracasso e entusiamo, morte e otimismo. O discípulo porém, tem consciência do fundamento de sua alegria. Provém da fidelidade ao compromisso assumido com o Pai, de pautar-se pelos valores do Reino, embora devendo sofrer toda sorte de contradições.



Oração

PAI, PONHA NO MEU CORAÇÃO A ALEGRIA QUE VEM DE TI, ESPECIALMENTE NOS MOMENTOS DE SOFRIMENTO E PERSEGUIÇÃO, PELO TESTEMUNHO DA FÉ.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

UM POUCO DE TEMPO!

Jo 16,16-20
"Um pouco de tempo, e não mais me vereis; e mais um pouco, e me vereis de novo". Alguns dos seus discípulos comentavam: "Que significa isto que ele está dizendo: 'Um pouco de tempo e não mais me vereis, e mais um pouco, e me vereis de novo' e 'Eu vou para junto do Pai'?" Diziam ainda: "O que é esse 'pouco'? Não entendemos o que ele quer dizer". Jesus entendeu que eles queriam fazer perguntas; então falou: "Estais discutindo porque eu disse: 'Um pouco de tempo, e não me vereis, e mais um pouco, e me vereis de novo'? Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria".



Os discípulos ficaram confusos com as palavras de Jesus, ao se aproximarem a Paixão e a morte do Mestre. Havia uma espécie de mal-entendido, por não conseguirem captar o sentido das afirmações. Daí se perguntarem pelo que queriam dizer.


Na raiz da confusão, estavam as expectativas dos discípulos em relação ao Mestre. Esperavam tê-lo consigo por muito tempo, implantando um projeto político de restauração do reino de Davi. E, mais, criando uma sociedade fundada nos valores do Reino de Deus que anunciava. Como sinal de bênção, haveria de ter vida longa, pois Deus estava com ele.


Falar "um pouco de tempo e não mais me vereris; e mais um pouco, e me vereis de novo" contradizia a esperança dos discípulos. O tema da morte estava embutido na declaração. Quanto à ressurreição , ainda não fazia parte de suas cogitações. As palavras de Jesus tinham-na como pressuposto para serem compreendidas. Por isso, o Mestre falava em partida, choro e lamentações, e também em volta e alegria. Pouco tempo após sua morte, haveria de estar de novo junto deles de forma inteiramente distinta: ressuscitado. Foi preciso tempo para darem razão ao Mestre!



Oração


PAI, QUE MEU CORAÇÃO SE ENCHA DE ALEGRIA POR TER, PARA SEMPRE, O RESSUSCITADO JUNTO DE MIM, A INCENTIVAR-ME NA CAMINHADA.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

ENSINADOS PELO ESPÍRITO

Jo 16,12-15
"Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo quanto tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar. Tudo que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vos anunciar".

Um desafio importante dos discípulos consiste em perseverar no caminho da verdade do Reino, em contexto de missão, quando o testemunho os confronta com os inimigos da fé. Então, é grande a tentação de sucumbir e romper o compromisso com o Mestre, como se a mentira prevalecesse. é o fracasso do discipulado!



Falando do Espírito da Verdade, Jesus garantiu que viria em socorro dos discípulos para não titubearem, quando a possibilidade de fracassar despontasse no horizonte. A ação do Espírito consistiria em anunciar-lhes o que tinha ouvido. E de quem ouvira, senão do Filho? E o que o Filho lhe revelara para comunicar aos discípulos, senão os ensinamentos já partilhados com eles ao longo de seu ministério?

Por conseguinte, a tarefa do Espírito é a de manter viva na mente e no coração dos discípulos o que Jesus lhe ensinara. Basta isso! Não carece de ensinar coisas novas, já que o Mestre revelou o essencial para um projeto consistente de discipulado, dispensando novidades.

Urge estar atento a quem tem ousadia de introduzir exigências novas à proposta evangélica, à revelia do Mestre Jesus. Em geral, são sugestões periféricas, cujo efeito é o de desviar a atenção do discípulo do que é, realmente, fundamental. O discípulo verdadeiro tem suficiente discernimento para não se deixar enganar, pois é instruído pelo Espírito de Deus.

Oração

PAI, QUE O TEU ESPÍRITO ME CONDUZA SEMPRE NA VERDADE, FAZENDO-ME CONHECER O ENSINAMENTO DE TEU FILHO JESUS.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A VISITAÇÃO DE MARIA



CELEBRAÇÃO NO ENCERRAMENTO DO «MÊS DE MARIA»

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

31 de Maio de 1979

"Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lc. 1, 45).

1. Com esta saudação, a idosa Isabel exalta a jovem parenta Maria, que foi, humilde e pudica, apresentar-lhe os seus serviços. Sob o impulso do Espírito Santo, a mãe do Baptista começa por proclamar, na história da Igreja, as maravilhas que Deus operou na jovem de Nazaré, e vê plenamente realizada em Maria a bem-aventurança da fé, porque ela acreditou no cumprimento da palavra de Deus.

No encerramento do mês de Maria, nesta esplêndida noite romana, junto da gruta de Lurdes, devemos reflectir, Irmãs e Irmãos caríssimos, na que foi a atitude interior e fundamental da Virgem Santíssima para com Deus: na sua fé. Maria acreditou! Acreditou nas palavras do Senhor, transmitidas pelo Anjo Gabriel; o seu coração puríssimo, já completamente consagrado a Deus desde a infância, dilatou-se na Anunciação no «Fiat» generoso, incondicionado, com que Ela aceitou tornar-se a Mãe do Messias e Filho de Deus: desde aquele momento, inserindo-se Ela ainda mais profundamente no plano de Deus, far-se-á conduzir pela mão da misteriosa Providência e, durante toda a vida, radicada na fé, seguirá espiritualmente o seu Filho, tornando-se a sua primeira «discípula» perfeita e realizando quotidianamente as exigências de tal seguimento segundo as palavras de Jesus: Quem não toma a sua cruz para vir após Mim, não pode ser Meu discípulo (Lc. 14, 27).

Assim Maria avançará por toda a vida na «peregrinação da fé» (Cfr. Const. dogm. Lumen Gentium, 58), enquanto o seu dilectíssimo Filho, incompreendido, caluniado, condenado e crucificado Lhe traçará, dia após dia, um caminho doloroso, premissa necessária para aquela glorificação, cantada no «Magnificat»: todas as gerações me hão-de chamar ditosa (Lc. 1, 48). Mas antes, Maria deverá subir, também ela, ao Calvário, para assistir, dolorosa, à morte do seu Jesus.

2. A festa da Visitação apresenta-nos outro aspecto da vida interior de Maria: a sua atitude de humilde serviço e de amor desinteressado por quem se encontra em necessidade. Ela acaba de saber do Anjo Gabriel o estado da sua parenta Isabel, e imediatamente se põe em viagem para a montanha, a fim de chegar «depressa» a uma cidade da Judeia, a actual «Ain Karem». O encontro das duas Mães é também o encontro entre o Precursor e o Messias, que, pela mediação da sua Mãe, começa a operar a salvação fazendo saltar de alegria João o Baptista ainda no seio da mãe.

Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus está em nós ... Dele temos este mandamento: quem ama a Deus, ame também a seu irmão (1 Jo. 4, 12.21), dirá São João o evangelista. Mas quem, melhor do que Maria, tinha posto em prática esta mensagem? E quem, senão Jesus, que Ela trazia no seio, a impelia, a incitava, a inspirava a esta contínua atitude de serviço generoso e de amor desinteressado para com os outros? O Filho do Homem... não veio para ser servido, mas para servir (Mt. 20, 28), dirá Jesus aos seus discípulos; mas a sua Mãe já tinha realizado perfeitamente esta atitude do Filho. Ouçamos de novo o célebre comentário, cheio de unção espiritual, que Santo Ambrósio faz da viagem de Maria: «Feliz de realizar o seu desejo, delicada no seu dever, dedicada na sua alegria, apressou-se em direcção da montanha. Para onde, senão para o alto, devia tender Aquela que já estava repleta de Deus? A graça do Espírito Santo não conhece obstáculos, que demorem o passo» (Expositio Evangelii secundum Lucam, II, 19: CCL 14, pág. 39).

E se refletirmos com particular atenção sobre a passagem da Carta aos Romanos, ouvida há pouco, damo-nos conta de que brota dela uma imagem eficaz do comportamento de Maria Santíssima, para a nossa edificação: a sua caridade não teve fingimentos; amava profundamente os outros; fervorosa no espírito, servia o Senhor; alegre na esperança; forte na tribulação, perseverante na oração; solícita pelas necessidades dos irmãos (Cfr. Rom. 12, 9-13).

3. «Alegre na esperança»: a atmosfera que invade o episódio evangélico da Visitação é a alegria: o mistério da Visitação é um mistério de alegria. João Baptista exulta de alegria no seio de Santa Isabel; esta, cheia de alegria pelo dom da maternidade, prorrompe em bênçãos ao Senhor; Maria eleva o «Magnificat», hino todo repleto da alegria messiânica.

Mas qual é a misteriosa fonte escondida de tal alegria? É Jesus, que Maria já concebeu nor obra do Esnírito Santo, e que já começa a derrotar aquilo que é a raiz do medo, da angústia e da tristeza: o pecado, a mais humilhante escravidão para o homem.

Esta noite celebramos juntos o encerramento do mês mariano de 1979. Mas o mês de Maio não pode terminar; deve continuar na nossa vida, porque a veneração, o amor e a devoção a Nossa Senhora não podem desaparecer do nosso coração, pelo contrário devem crescer e exprimir-se num testemunho de vida cristã, modelada pelo exemplo de Maria, «o nome da bela flor que eu sempre invoco / de manhã e à noite» como canta o poeta (Dante Alighieri DANTE ALIGHIERI, A Divina Comédia, Paraíso XXIII, 88).

Ó Virgem Santíssima, Mãe de Deus, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja, olha-nos clemente nesta hora!

Virgo Fidelis, Virgem fiel, pede por nós! Ensina-nos a crer como creste tu! Faz que a nossa fé em Deus, em Cristo e na Igreja, seja sempre límpida, serena, corajosa, forte e generosa.

Mater Amabilis, Mãe digna de amor! Mater Pulchrae dilectionis, Mãe do amor formoso, pede por nós! Ensina-nos a amar a Deus e aos nossos irmãos, como tu os amaste: faz que o nosso amor para com os outros seja sempre paciente, benigno e respeitoso.

Causa nostra letitiae, Causa da nossa alegria, pede por nós! Ensina-nos a saber colher, na fé, o paradoxo da alegria cristã, que nasce e floresce do sofrimento, da renúncia, da união com o teu Filho crucificado: faz que a nossa alegria seja sempre autêntica e plena, para a podermos comunicar a todos!

Amém!

(Fonte:
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1979/documents/hf_jp-ii_hom_19790531_mese-mariano_po.html)

É BOM QUE EU VÁ!

Jo 16,5-11



"Agora eu vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ´Para onde vais?` Mas, porque vos falei assim, os vossos corações se encheram de tristeza. No entanto, eu vos digo a verdade: é bom para vós que eu vá. Se eu nao for, o Defensor não virá a vós. Mas, se eu for, eu o enviarei a vós. Quando ele vier, acusará o mundo em relação ao pecado, à injustiça e ao julgamento. Quanto ao pecado: eles não acreditaram em mim. Quanto à justiça: eu vou para o Pai, de modo que não mais me vereis. E quanto ao julgamento: o chefe deste mundo já está condenado".




Os evangelhos falam da consciência de Jesus de ter sido enviado ao mundo pelo Pai, com a missão de oferecer salvação à humanidade. Sua presença seria uma luz brilhando nas trevas, para mostrar aos seres humanos o caminho a seguir.



Uma vez cumprida a missão, voltaria para junto de quem o enviou, como acontece com quem é incumbido de realizar uma tarefa. Assim, Jesus entendia a morte que se aproximava. Encarava-a com realismo, sem se deixar abater pela dureza do que antevia. Conhecia, muito bem, as dimensões do ódio nutrido contra ele pelos inimigos e a firme decisão de eliminá-lo.



Os discípulos, como era de se esperar, ficavam incomodados com as palavras do Mestre. A perspectiva de perdê-lo deixava-os confusos e tristes. Mas Jesus percebia um elemento positivo no fato de voltar para junto do Pai: seria a ocasião para os discípulos receberem o dom do Espírito Santo e, assim, iniciarem a missão que lhe incumbia. A partida do Mestre seria, pois, uma coisa boa! Os discípulos teriam a chance de dar mostras da maturidade da fé e da profundeza da adesão e fidelidade ao Mestre. Enquanto o tivessem consigo, esperariam dele a iniciativa de testemunhar o Reino. Sem ele, a missão estaria em suas mãos.



Oração


PAI, COM A PARTIDA DO FILHO PARA JUNTO DE TI, REVESTE-ME DO ESPÍRITO QUE ME DÁ FORÇA PARA CUMPRIR COM CORAGEM A MISSÃO QUE DEVO REALIZAR.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

QUANDO CHEGAR A HORA!

Jo 15,26-16,4a "Quando, porém, vier o Defensor que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós, também, dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. Eu vos disse estas coisas para que vossa fé não fique abalada. Sereis expulsos das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos matar, julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim por não terem conhecido nem ao Pai, nem a mim. Eu vos falei assim, para que vos recordeis do que eu disse, quando chegar a hora".

Os discípulos foram exortados a se recordar das palavras e da promessa do Mestre, "quando chegar a hora". No horizonte, está a missão a ser levada adiante, com os desafios inerentes ao testemunho exigido. Nada de pensar em sucesso fácil e reconhecimento! O caminho trilhado seria feito de perseguição e morte.
Seria "a hora" de tomar consciência da ação do Espírito dado pelo Mestre, como força para enfrentar as adversidades. Tudo dependeria da abertura do discípulo, para acolhê-lo como dom e deixar-se guiar por ele. Seria o momento de perceber a fortaleza para não se dobrar diante da maldade dos opositores; a sabedoria para fazer frente aos argumentos; e a capacidade para não se desesperar com um sofrimento demasiadamente longo.
A recordação do testemunho de muitos cristãos perseguidos ou que deram a vida pela fé permite constatar a veracidade das palavras de Jesus. As terríveis pressões são incapazes de dobrar pessoas frágeis e indefesas, por terem consigo o Espírito dado pelo Filho, da parte do Pai. Só a presença e a ação do Espírito explicam a fortaleza de ânimo e a audácia de quem, desarmado, enfrenta as forcas contrárias ao Reino de Deus. Sem ele, haveriam de sucumbir e renegar a fé.

Oração
PAI, NA HORA DAS TRIBULAÇÕES POR CAUSA DA FE, QUE ME RECORDE DAS PROMESSAS DE JESUS E DEIXE TEU ESPÍRITO DE FORTALEZA AGIR EM MIM.

domingo, 29 de maio de 2011

O ESPÍRITO DEFENSOR

Jo 14,15-21 "Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê, nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós. Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele".

Os discípulos de Jesus jamais estão sós nas dificuldades e perseguições. O Mestre prometeu-lhes enviar o Espírito, que lhes sustentaria o ânimo, de forma a vencerem os desafios, embora devendo passar por sofrimentos e, até mesmo, pela morte.

O Espírito a ser concedido atuaria junto aos discípulos como "paráclito". O termo grego, às vezes, é traduzido como consolador. A tradução está correta se o contexto da consolação forem as perseguições, quando o discípulo é tentado a deixar tudo. E se o efeito da consolação consistir em reforço de ânimo para levar adiante o testemunho da fé, sem se deixar abater. Portanto, não se trata de consolação em contexto de tristeza banal ou de frustração de um projeto ligado a ambições pessoais, sem se configurar como serviço ao Reino e ao próximo necessitado.
O discípulo tem junto de si o Espírito para animá-lo e incentivá-lo a prosseguir. È a experiência que fará ao ver-se vencedor diante de situações que, à primeira vista, pareciam insuperáveis e o fracasso, iminente. Por que foram capazes de seguir adiante? A resposta é: porque tinham consigo o Espírito a lhes dar coragem para se manterem firmes na fidelidade ao Mestre Jesus.

Oração
PAI, PREPARA MEU CORAÇÃO PARA ACOLHER O ESPÍRITO QUE TEU FILHO ME CONCEDE, PARA ME MANTER FIEL NAS PROVAÇÕES.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

UM AMOR DE QUALIDADE




Jo 15,9-11
"Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa".

A relação de Jesus com os discípulos foi marcada por um amor exemplar, nos moldes daquele recebido do Pai.

Como Deus amou Jesus? O amor do Pai está na raiz da existência de Jesus, o Filho querido, a quem o Pai amava e no qual se comprazia. O Pai deu-se a conhecer ao Filho, revelando a identidade de Deus Amor. E, mais, enviou-o ao mundo com a missão de salvá-lo e colocá-lo no caminho da salvação. Ensinou-lhe o que haveria de proclamar e deu-lhe o poder de realizar gestos grandiosos em favor da humanidade, para recuperar-lhe a dignidade. Enfim, revestiu-o com seu Espírito, do qual lhe provinha a autoridade para falar sem se deixar intimidar pelos inimigos.

Como Jesus amou os discípulos, inspirado no amor do Pai? Chamou-os para junto de si, para formar comunidade de vida e missão. Instruiu-os com um modo de proceder irrepreensível, todo voltado para o amor e o serviço aos necessitados. Instruiu-os com autoridade, mas também com bondade, ajudando-os a superar os elementos negativos da personalidade deles e as ambições incompatíveis com o projeto do Reino. Sobretudo, chegou ao extremo de entregar a própria vida, sendo pregado na cruz, como testemunho supremos de fidelidade ao Pai.

Sendo assim, a atitude mais inteligente do discípulo consistirá em permanecer no amor do Mestre Jesus, por ser caminho de vida e de comunhão com o Pai. Só o discípulo insensato terá a ousadia de romper com tal amor. Ao longo do ministério de Jesus, houve quem foi capaz de tamanho desatino.



Oração

PAI, FAZE-ME PERSEVERAR NO AMOR A TEU FILHO, POR SER CAMINHO DE COMUNHÃO CONTIGO

quarta-feira, 25 de maio de 2011

UNIDOS A JESUS

Jo 15, 1-8
"Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos."



O discipulado cristão supõe uma estreita união com o Mestre. Jesus usou a metáfora da videira e do ramo para ilustrar essa dimensão fundamental na vida do discípulo. Quem está unido a Jesus produz os frutos esperados de quem o segue: a misericórida, a solidariedade e o perdão.

Rompidos os vínculos, o discípulo caminhará na contramão do projeto do Reino e será incapaz de perdoar, terá o coração fechado para a misercórdia e a solidariedade. Neste caso, poderá ser lançado fora, pois não se pode conceber um discípulo estéril.

A união com o Mestre está na dependência do discípulo. Não acontece sob pressão nem, tampouco, lhe atropelando a liberdade. O mesmo seja dito da ruptura com o Mestre. Será, também, decorrência de uma escolha livre. Em ambos os casos, estarão implicados a abertura ou o fechamento à graça de Deus. Quando existe docilidade à ação do Espírito, a união com o Mestre se consolida sempre mais. É o que se espera do discípulo fiel.



Oração

PAI, REFORÇA MINHA UNIÃO COM TEU FILHO JESUS, DE MODO QUE EU POSSA PRODUZIR OS FRUTOS DE AMOR ESPERADOS POR TI.