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terça-feira, 9 de abril de 2013

CURSO DE LIDERANÇAS JOVENS

Aconteceu na Casa Inaciana da Juventude o II Módulo de Formação de Lideranças Jovens, promovido pela CIJ. Nesse módulo, estiveram acompanhando a formação as jovens Cáyla e Lane da Pastoral de Juventude da Arquidiocese de Fortaleza. Vários dos jovens que participaram estiveram no III Acampamento Inaciano de Jovens, cujo objetivo é fazer despertar novas lideranças no meio da juventude.



domingo, 12 de agosto de 2012

MENSAGEM PARA OS PAIS NO SEU DIA

Queridos Pais,
- Chore com seus filhos e abrace-os. Isso é mais importante do que dar-lhe fortunas ou fazer-lhes montanhas de críticas.
- Não forme heróis, mas seres humanos que conheçam seus limites e sua força.
- Faça de cada lágrima uma oportunidade de crescimento.
- Estimule seu filho a ter metas.
- Lembre-se: conversar é falar espontaneamente.
- Dialogar é falar sobre o mundo que somos.
- Abraçar, beijar, falar espontaneamente.
- Contar história.
- Semear idéias.
- Dizer não sem medo.
- Não ceder a chantagem.
- Para educar é necessário paciência.
Augusto Cury

sábado, 7 de julho de 2012

PADRE ARRUPE: O PROFETA


É difícil falar pouco desse profeta basco, médico, jesuíta, provincial da Província do Japão, eleito Padre Geral da Congregação em 1965 quando terminava o Concílio Vaticano II. Nos últimos anos de sua vida, sofreu duas tromboses: uma em 1981, voltando da Ásia, e outra em 1980. Porém, o Papa João Paulo II só aceitou sua renúncia em 1983. Foi “Geral” da Congregação durante 18 anos. Este “santo” (para muitos) partiu para a casa do Pai com 84 anos, em 1991.
O Padre Arrupe encarnou o lema dos jesuítas definido na 32ª Congregação Geral: “Serviço da Fé e Promoção da Justiça”. Seu amor pelos empobrecidos nasceu em Madri, quando estudava Medicina. Desde cedo, quis ser missionário no Japão, mas foi atendido em seu desejo só aos 31 anos. Quando a bomba atômica explodia sobre Hiroshima, em 1945, ele era Mestre de Noviços naquela cidade. Com o passar do tempo, esta bomba se converteu, para o Padre Arrupe, em uma explosão simbólica que o despertou para uma nova era de sua vida.
Pedro Arrupe merece muitos adjetivos: missionário, mensageiro da esperança, alegre, corajoso, otimista... Foi eleito Geral aos 58 anos, sabendo animar e desafiar seus companheiros espalhados por todo o mundo, apesar de algumas grandes dificuldades, inclusive de relacionamento com a Cúria Romana. Além de tudo, era um otimista. “Tenho plena confiança na semente que Deus plantou no ser humano”. 
Foi profeta dentro da Companhia de Jesus, diante das Congregações Religiosas e diante da própria Igreja. Sabia falar de Igreja, de mundo moderno, de diálogo com os ateus, de inculturação. Encarnou em si todas as coragens que nasciam do Concílio Vaticano II. Foi com eles que se criou, na Companhia de Jesus, o Secretaria dos Refugiados.
Se há profecia na Igreja, isso pode ser contemplado na vida que Pedro Arrupe viveu. Mesmo enfrentando 8 anos de “doença” que o levava à “inutilidade”, nunca perdeu o sorriso; até nos momentos delicados que a Companhia de Jesus viveu naqueles anos. Abraçou de corpo inteiro o que dizia o Decreto 4 da 32ª Congregação Geral: A missão da companhia de Jesus, hoje,é o serviço da fé, do qual a promoção da justiça constitui exigência absoluta. Eleito Geral, logo perguntou para os 236 jesuítas congregados, se estavam conscientes do que acabavam de votar e aprovar.
Quando se despediu, como Geral, em 1983, ele dizia que estava seguro que sabia e se sentia e se experimentava estar totalmente nas mãos do Senhor. Padre Pedro Arrupe, rogai por nós!
Texto: Hilário Dick, Sj
Imagem: Jesuit.org

domingo, 8 de abril de 2012

PASCOA: A VIDA COMO DOM MAIOR...

Celebrar a Páscoa é reafirmar a nossa fé na ressurreição de Cristo e na própria ressurreição de todos os nossos projetos de justiça.
A morte é a nossa única certeza de futuro. A postura que temos diante da morte traduz o sentido que damos à vida.
Temem a morte aqueles que não conseguiram ainda imprimir à vida uma direção, uma razão de ser.
Ou se apegaram demasiadamente a bens e prazeres que lhes adornam o ego.
A Páscoa nos convida à interiorização, a meditar de olhos bem abertos. Não é lá no túmulo de Jerusalém que, agora, Jesus ressuscita.
É em nosso coração, em nossa solidariedade, em nossa capacidade de enxergá-lo no próximo, em especial nos mais pobres, com quem ele se identificou (Mateus 25, 31-46). A pedra a ser retirada, para que a vida floresça, é a que pesa em nossa subjetividade, amarrá-nos ao egoísmo e nos imobiliza frente aos desafios de solidariedade. ( Frei Betto)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

“Como é belo o jejum
que se adorna de amor!
Partilha generoso o teu pão com quem tem fome;
ou teu jejum não é jejum, mas economia”


Com este cântico das vésperas da terça-feira da quaresma, a liturgia maronita, mergulhada na teologia dos padres da Síria, vincula intimamente a quaresma e o jejum com a caridade. Neste tempo em que o jejum para muitos é apenas uma forma de dieta, a Igreja ensina através da liturgia que o jejum cristão é mais do que a abstinência de alimentos.

O apóstolo Paulo não tinha dúvidas de que o amor é a coroa das virtudes cristãs, e um jejum não embelezado pelo esplendor do amor é inútil. O apóstolo João deixa claro que a pedra de toque do amor verdadeiro é a concreção e a praticidade, e exorta: "Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas com obras e em verdade" (1 Jo 3,18) .

A pobreza tem muitas faces, e a Madre Teresa, que era tão familiarizada com a pobreza material e com a fome, disse um dia que no mundo ocidental, onde as pessoas parecem mais ricas, existe uma grande fome e uma pobreza mais grave do que a das ruas de Calcutá: é a pobreza espiritual, a falta de sentido e a indigência de quem renunciou ao Senhor, fonte, significado e fim da nossa existência. (Fonte: ZENIT)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MENSAGEM QUARESMAL DO PAPA BENTO XVI

«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)

Irmãos e irmãs!

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.

Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.

O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).

3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Novembro de 2011

BENEDICTUS PP. XVI

sábado, 11 de fevereiro de 2012

6 DOMINGO DO TEMPO COMUM


O MESSIAS E OS MARGINALIZADOS

A exclusão está na moda, virou princípio da organização socioeconômica: a lei do mercado, da competitividade. Quem não consegue competir, desapareça. Quem não consegue consumir, deve sumir. Escondemos favelas por trás de paredões ou placares de publicidade. Que os feios, os aleijados, os idosos, os aidéticos não poluam os nossos cartões postais!

Em tempos idos, a exclusão muitas vezes provinha da impotência ou da superstição. Assim a exclusão dos cegos e coxos do templo de Jerusalém. Ou a marginalização dos leprosos, ilustrada abundantemente em Lv 13–14 (cf. 1ª leitura). Enquanto não se tivesse constatado a cura por um complicado ritual, o leproso era considerado impuro, intocável. Jesus, porém, toca no leproso – e o cura (evangelho). É um sinal do Reino de Deus. Jesus torna o mundo mais conforme ao sonho de Deus. Pois Deus não deseja sofrimento nem discriminação. O Antigo Testamento pode não ter encontrado outra solução para esses doentes contagiosos que a marginalização; mas Jesus mostra que um novo tempo começou.

Começou, mas não terminou. Reintegrar os marginalizados não foi uma fase passageira no projeto de Deus, como os benefícios que os políticos realizam nas vésperas das eleições. O plano messiânico continua através do povo messiânico, como se concebe a Igreja. Devemos continuar inventando, quando pudermos, soluções contra toda e qualquer marginalização. Pois somos todos irmãos e irmãs.

Seremos impotentes para excluir a exclusão, como os antigos israelitas em relação à lepra? Que fazer com os criminosos perigosos, viciados no crime? Será nosso mundo tão bom que possa reintegrar tais pessoas, sem que se enrosquem de novo? O fato de ter de marginalizar alguém é um reconhecimento da não-perfeição de nossa sociedade. Toda forma de marginalização é uma denúncia contra nossa sociedade, e ao mesmo tempo um desafio. Isso é muito mais ainda o caso em se tratando de pessoas inocentes. A marginalização é sinal de que não está acontecendo o que Deus deseja. Onde existe marginalização, o Reino de Deus ainda não chegou, pelo menos não completamente. E aonde chega o Reino de Deus, a marginalização não deve mais existir. Por isso, Jesus reintegra os marginalizados, como é o caso do leproso, dos pecadores, publicanos, prostitutas… Essa reintegração está baseada no poder-autoridade que Jesus detém como enviado de Deus: “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc 1,40). Jesus passa por cima das prescrições levíticas, toca no leproso e “purifica”-o por sua palavra em virtude da autoridade que lhe é conferida como “Filho do Homem” (= “executivo” de Deus, cf. Mc 2,10.28).

Há quem pense que os mecanismos auto reguladores do mercado são o fim da história e a realização completa da racionalidade humana. E os que são (e sempre serão) excluídos por esse processo, onde ficam? Não será esse raciocínio o de um varejista que se imagina ser o criador do universo? A liturgia de hoje nos mostra outro caminho, o de Jesus: solidarizar-se com os marginalizados, os excluídos, tocar naqueles que a “lei” proíbe tocar, para reintegrá-los, obrigando a sociedade a se abrir e a criar estruturas mais acolhedoras. Mais messiânicas.

(Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. É Colunista do Dom Total).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SOMENTE NO SIM A DEUS, SOMOS COMPLETAMENTE LIVRES

CIDADE DO VATICANO, 01 de fevereiro de 2012(ZENIT.org) - Publicamos a seguir a catequese de Bento XVI, realizada esta manhã, durante a Audiência Geral, na Sala Paulo VI.
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Queridos irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de falar sobre a oração de Jesus no Getsêmani, no Horto das Oliveiras. O cenário da narração evangélica desta oração é particularmente significativo. Jesus parte para o Monte das Oliveiras, depois da Última Ceia, enquanto reza com os seus discípulos. Narra o Evangelista Marcos: “E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras”(Marcos 14,26). Faz alusão provavelmente ao canto de alguns Salmos do Hallel com os quais se agradece a Deus pela libertação do povo da escravidão e se pede ajuda para as dificuldades e ameaças sempre novas do presente. O percurso até o Getsêmani é composto por expressões de Jesus que torna iminente seu destino de morte e anunciam a impendente dispersão dos discípulos.

Chegando ao Monte das Oliveiras, também naquela noite Jesus se preparaem oração. Mas desta vez acontece algo novo: Ele parece não querer ficar só. Muitas vezes Jesus se retirava à parte da multidão e dos próprios discípulos, se resguardando “em lugares desertos” (cfr Marcos 1,35) ou subindo “no Monte”, diz São Marcos (cfr Marcos 6,46). No Getsêmani, ao invés, Ele convida Pedro, Tiago e João para ficarem próximos. São os mesmos discípulos chamados para estarem com Ele no Monte da Transfiguração (cfr Marcos 9,2-13). Esta proximidade entre os três durante a oração no Getsêmani é significativa. Também naquela note Jesus rezará ao Pai “sozinho”, porque o seu relacionamento com Ele é totalmente único e singular: é o relacionamento do Filho Unigênito. Dir-se-ia, sobretudo naquela noite que ninguém poderia aproximar-se do Filho, que se apresenta ao Pai na sua identidade absolutamente única, exclusiva. Jesus, porém, mesmo chegando “sozinho” no ponto onde irá rezar, quer que pelo menos os três discípulos permaneçam não muito longe, em uma relação mais estreita com Ele. Trata-se de uma aproximação espacial, um pedido de solidariedade no momento no qual se sente aproximar-se da morte, mas é sobretudo uma proximidade na oração, para exprimir, de algum modo, a sintonia com Ele, no momento em que se aproxima o cumprimento até o fim da vontade do Pai e é um convite para que cada discípulo o siga no caminho da Cruz. O Evangelista Marco narra: “Levou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir medo e angústia. Disse a eles: “A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai”(14,33-34).

Na Palavra que se dirige aos três, Jesus, mais uma vez, se exprime com a linguagem dos Salmos: “A minha alma está profundamente triste”, uma expressão do Salmo 43 (cfr Sal 43,5). A dura determinação “até a morte”, depois, recorda uma situação vivida por muitos enviados de Deus no Antigo Testamento, a qual é expressa na oração deles. Não raramente, de fato, seguir a missão que lhes é confiada significa encontrar hostilidade, rejeição, perseguição. Moisés sente de maneira dramática a prova que sofre enquanto guia seu povo no deserto, e diz a Deus: “Eu só não posso levar a todo este povo, porque muito pesado é para mim. E se assim fazes comigo, mata-me, peço-te, se tenho achado graça aos teus olhos”(Números11,14-15). Também para o profeta Elias não é fácil levar adiante o serviço a Deus e ao seu povo. No Primeiro Livro dos reis se narra: “Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais”. (19,4)

As palavras de Jesus aos três discípulos que os quer próximos durante a oração no Getsêmani, revelam como Ele experimenta o medo e angustia naquela “hora”, experimenta a última profunda solidão enquanto o designo de Deus se está realizando. E em tal medo e angústia de Jesus se recapitula todo o horror do homem diante da própria morte, a certeza de sua inexorabilidade e a percepção do peso do mal que perpassa a nossa vida.

Depois do convite para permanecer e vigiar em oração dirigido aos três, Jesus “sozinho” se dirige ao Pai. O Evangelista Marco narra que Ele “tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora”(14,35). Jesus prostrou-se em terra: é uma posição de oração que exprime a obediência à vontade do Pai, o abandonar-se com plena confiança nEle.

É um gesto que se repete no inicio da Celebração da Paixão, na Sexta-feira Santa, como também na profissão monástica e nas Ordenações diaconais, presbiteriais e episcopais, para exprimir, na oração, também corporalmente, o confiar-se completamente a Deus, o confiar nEle. Depois Jesus pede ao Pai que, se possível, passasse daquela hora. Não é apenas o medo e a angústia do homem diante da morte, mas o envolvimento do Filho de Deus que vê a terrível massa de mal que deverá assumir sobre Si para superar-lo, para privá-lo de poder.

Queridos amigos, também nós, na oração devemos ser capazes de levar diante de Deus os nossos cansaços, os sofrimentos de certas situações, de certos dias, o compromisso cotidiano de segui-lo, de ser cristãos, e também o peso do mal que vemos em nós e ao redor de nós, para que Ele nos dê esperança, nos faça sentir a sua proximidade, nos doe um pouco de luz no caminho da vida.

Jesus continua a sua oração: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”. (14,36). Nesta invocação estão três passagens reveladoras. Ao inicio temos o dúplice termo com o qual Jesus se dirige a Deus: “Aba! Pai!”(Mc14,36 a). Sabemos bem que a palavra aramaica Abbá é aquela que era usada pelas crianças para dirigir-se ao papai e exprimir, portanto, o relacionamento de Jesus com Deus Pai, uma relação de ternura, de afeto, de confiança, de abandono. Na parte central da invocação existe o segundo elemento: a consciência da onipotência do Pai – “tudo é possível para ti” -, que introduz um pedido que, mais uma vez, aparece o drama da vontade humana de Jesus diante da morte e do mal: “afasta de mim este cálice!”. Mas existe a terceira expressão da oração de Jesus que é aquela decisiva, na qual a vontade humana adere plenamente à vontade divina.

Jesus, de fato, conclui dizendo com força: “Entretanto, que não seja aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Marcos 14,36a). Na unidade da pessoa divina do Filho a vontade humana encontra sua plena realização no abandono total do Eu ao Teu do Pai, chamado Aba. São Máximo, o Confessor, afirma que desde o momento da criação do homem e da mulher, a vontade humana é orientada àquela divina e exatamente no “sim” a Deus que a vontade humana é plenamente livre e encontra a sua realização.

Infelizmente, por causa do pecado, este “sim” a Deus se transformou em oposição: Adão e Eva pensaram que o “não” a Deus fosse o cume da liberdade, o ser plenamente eles mesmos. Jesus no Monte das Oliveiras reporta a vontade humana ao “sim” pleno a Deus; nEle a vontade natural é plenamente integrada na orientação que lhe dá a Pessoa Divina.

Jesus vive a sua existência segundo o centro da sua Pessoa: o seu ser Filho de Deus. A sua vontade humana é puxada para dentro do Eu do Filho, que se abandona totalmente ao Pai. Assim Jesus nos diz que somente conformando a sua própria vontade àquela divina, o ser humano chega à sua verdadeira altura, torna-se “divino”; somente saindo de si, somente no “sim” a Deus, se realiza o desejo de Adão, de todos nós, aquele de ser completamente livre. É isto que Jesus realiza no Getsêmani: transferindo a vontade humana na vontade divina nasce o verdadeiro homem, e nós somos redimidos.

O Compendio do Catecismo da Igreja Católica ensina sinteticamente: “A oração de Jesus durante a sua agonia no Horto do Getsêmani e as suas últimas palavras na cruz revelam a profundidade da sua oração filial: Jesus leva a cumprimento o desígnio de amor do Pai e toma sobre si todas as angústias da humanidade, todos os pedidos e as intercessões da história da salvação. Ele os apresenta ao Pai que os acolhe e atende, além de toda esperança, ressuscitando-o dos mortos” (n.543). Na verdade, “em nenhuma outra parte da Sagrada Escritura vemos tão profundamente o mistério interior de Jesus como na oração no Monte das Oliveiras” (Jesus de Nazaré II,177).

Queridos irmãos e irmãs, todos os dias na oração do Pai Nosso nós pedimos ao Senhor “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu” (Mt,6,10). Reconhecemos, isto é, que existe uma vontade de Deus conosco e para nós, uma vontade de Deus sobre a nossa vida, que deve se tornar cada dia mais uma referência do nosso querer e do nosso ser; reconhecemos ainda que é no “céu” onde se faz a vontade de Deus e que a “terra” se torna “céu”, lugar da presença do amor, da bondade, da verdade, da beleza divina, somente se na mesma é feita a vontade de Deus. Na oração de Jesus ao Pai, naquela noite terrível e estupenda do Getsêmani, a “terra” se tornou “céu”; a “terra” da sua vontade humana, tomada pelo medo e pela angustia, foi assumida pela vontade divina, assim foi que a vontade de Deus se realizou na terra.

E isto é importante também na nossa oração: devemos aprender a confiarmos mais na Providencia divina, pedir a Deus a força de sairmos de nós mesmos para renovarmos o nosso “sim”, para repetir-lhe “seja feita a vossa vontade”, para conformar a nossa vontade à sua. É uma oração que devemos fazer cotidianamente, porque nem sempre é fácil confiar-nos à vontade de Deus, repetir o “sim” de Jesus, o “sim” de Maria. As narrações evangélicas do Getsêmani mostram dolorosamente que os três discípulos, escolhidos por Jesus para estarem próximos dEle, não foram capazes de vigiar com Ele, de compartilhar a sua oração, a sua adesão ao Pai e foram envolvidos pelo sono.

Queridos amigos, peçamos ao Senhor para que sejamos capazes de vigiar com Ele na oração, de seguir a vontade de Deus todos os dias mesmo quando se fala de Cruz, de viver uma intimidade sempre maior com o Senhor, para trazer nesta “terra” um pouco do “céu” de Deus.

No final da catequese o Papa saudou também aos peregrinos de língua portuguesa.

Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos dou as boas-vindas, pedindo a Deus que vos encha de esperança e conceda a luz para descobrir a sua vontade sobre a vossa vida e fazer dela o ponto de referimento diário do vosso querer e do vosso ser. E que as Suas Bênçãos sempre vos acompanhem. Ide em paz!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OS JESUÍTAS E OS JOVENS

Pe. Adolfo Nicolás, Superior Geral dos jesuítas, em sua carta de 21 de outubro, dirigida aos Superiores Maiores, reflete sobre o apostolado com jovens e “chama a Companhia a prestar muita atenção no serviço aos jovens”. Segue aqui algumas de suas reflexões:

«Outro grande serviço que podemos prestar aos jovens é ajudá-los a fazer um bom discernimento. Para os jovens resulta difícil tomar decisões bem fundamentadas. Neste etapa da vida terão que decidir que o que farão com o resto de sua vida: em que relações se querem comprometer, em que profissão querem embarcar, que valores decidem ser seus. Um serviço verdadeiramente inaciano aos jovens implica sempre ajudá-los a discernir.
Nosso primeiro empenho deve ser ajudá-los a serem livres; livres das decisões que outros tomaram sobre eles e para eles. Vivemos em um mundo em que muitas instâncias e muitas pessoas desejam decidir em nosso lugar; desejam que compremos seus produtos, sua moda, seus valores, seu estilo de vida, suas ideologias. Nosso papel não é nos convertermos em opção laternativa, mas sim ajudá-los a situar-se com liberdade diante de todas estas possibilidades que lhe são oferecidas.

E aqui começa o mais criativo de nosso trabalho com os jovens. Inácio nos ajudou a "tocar o mais profundo"; a adentrarmos nas profundidades do coração para descobrir o trabalho do Espírito, que é fonte segura de inspiração para chegar a decisão correta naquilo que é verdadeiramente importante. Só o Espírito conhece a vontade de Deus, e só no Espírito podemos colocar nossa esperança de chegar a encontrá-la. O modo inaciano de servir aos jovens, portanto, é um serviço em profundidade que não se alcança unicamente estabelecendo relações puramente administrativas. Exige uma proximidade que ajude a tomar aquelas grandes decisões que obrigam os jovens a colocar em jogo sua própria identidade,e sobre as que logo poderão edificar uma casa futura a que poder convidar ao mundo.
E este é talvez o maior desafio que enfrentamos em nosso ttrabalho com jovens. Nada verdadeiramente importante sucede assim automaticamente. Para fazernos sensíveis e capazes de perceber a ação e os dons que Deus realiza em nossos corações necessitamos educar e exercitar a interioridade: a possibilidade de sentir, intuir, perceber os movimentos do coração. Os jovens possuem inumeráveis qualidades, grande capacidade e uma extraordinária profundidade de coração. Mas esta mesma abundância pode converter-se em fonte de ruído interior; e é muito fácil fazer-se insensível ao que está sucedendo dentro de nós, e não perceber a música e os sentimentos que fazem de nossa vida algo manífico e prometedor. O desafio, pois, está em ajudar os jovens a sensibilizar-se as forças e movimentos maravilhosos que Deus, as outras pessoas, a realidade, sua própria generosidade e a vida fazem brotar em seus corações

terça-feira, 25 de outubro de 2011

JESUÍTAS DO POLO CEARÁ REUNIDOS NA COMUNIDADE VOCACIONAL


Os jesuítas que assumem a missão no estado do Ceará estiveram reunidos no dia 24/10 na Comunidade Vocacional São Pedro Claver para mais uma reunião do Polo. Estiveram presentes jesuítas de todas as residências do Polo: Paróquia Nossa Senhora do Rosário em Russas (PP. Fayos e Ademir); Mosteiro dos Jesuítas em Baturité (Pe. Tabosa e o Ir. David); Residência do Colégio Santo Inácio (Pe. Ponciano); Residência da Casa de Saúde, São Luiz Gonzaga (PP. Pedro Vicente, Hugo, Campos, Jackson, e o Ir. Toinho); Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (PP. Resende, Júnior, e os irmãos José Maria e Martins) e por fim, a Comunidade Vocacional (PP. José Laércio e Agnaldo Júnior, juntamente com os vocacionados Bruno, Luzimar, Clebson, Daniel, Arthur e Pedro).
O tema escolhido para partilhamos nesse encontro do polo foi a Amizade na Companhia de Jesus. Pe. Júnior ficou encarregado de dar o ponta pé inicial para aprofundarmos o tema, socializando o que temos experimentado ao longo desses anos na Companhia, assim como refletir a partir de umas frases retiradas do livro "Viver em Comunidade" de Carlos Vallés.
Pe. Jackson, coordenador do Polo Ceará, fez algumas comunicações sobre a Companhia Universal, apresentação da última carta do Pe. Geral sobre o trabalho com a juventude e o processo de criação da Província do Brasil, assim como os passos que outros países também estão dando nesse sentido de se tornarem uma única província.
No final do encontro, partilhamos um delicioso lanche e voltamos as nossas comunidades de origem, mais conscientes da importãncia do valor da amizade nessa vida de consagração a Deus a serviço do seu povo, como jesuítas.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Nossa Senhora Aparecida




A liturgia de hoje enfatiza a luta travada entre o bem e o mal. Do lado do bem está a mulher, que tanto na época de Ester quanto na de Maria tinha pouco espaço de ação na sociedade. Parece uma luta perdida, as forças das trevas e da morte estão em proporções gigantescas. Mas a mulher sai vencedora porque luta pela vida, e o Deus da vida está com ela.
Outro aspecto considerado pela liturgia é a intercessão. A mulher recorre Àquele que pode socorrer o povo em momentos de aflição. No Antigo Testamento, é a vida do povo de Israel que está ameaçada. No evangelho, Maria pede o vinho da nova aliança que dá a vida em plenitude. No Apocalipse, a humanidade ou nova Eva finalmente é libertada por Deus das insídias do antigo inimigo.
Esses aspectos estão presentes na devoção a Nossa Senhora Aparecida como intercessora
dos pequeninos que têm a vida e a dignidade ameaçadas. Maria é o grande sinal de que a vida sairá vitoriosa sobre qualquer tentativa de impedir seu avanço à plenitude de Cristo.
(Fonte: Vida Pastoral)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A MAIORIA DOS PADRES É FELIZ NO CELIBATO

Entrevista com o Pe. Stephen Rossetti
Por Genevieve Pollock
WASHINGTON, segunda-feira, 10 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Os sacerdotes, em geral, estão entre os membros mais felizes da sociedade, declara o padre Stephen Rossetti, e, contrariamente à opinião laicista, muitos consideram o celibato como um aspecto positivo da vocação. Estas são algumas conclusões destacadas por Rossetti em “Por que os sacerdotes são felizes?” (Ave Maria Press).
O autor fez uma pesquisa com 2.500 sacerdotes e chegou a conclusões que a sociedade moderna acharia surpreendentes.
Nesta entrevista a ZENIT, ele fala da pesquisa e da relação entre a felicidade de um sacerdote e a sua proximidade com Deus e com os outros, além da esperança para o futuro do sacerdócio.
ZENIT: Sua pesquisa diz que os sacerdotes estão entre as pessoas mais felizes do mundo. Por que não ouvimos falar desta felicidade mais vezes?
Pe. Rossetti: Esse constante achado da felicidade nos sacerdotes continua sendo um segredo. Por quê? Primeiro, porque as boas notícias não são notícia. As tragédias e os escândalos enchem as capas, mas caras de sacerdotes felizes não. Em segundo lugar, porque a secularização da nossa cultura gera uma espécie de negativismo contra a religião organizada. Existe a crença secular de que praticar a fé deve ser algo restritivo e triste. Escutar que os sacerdotes estão entre as pessoas mais felizes é incrível. O fato da felicidade clerical é um desafio poderoso e fundamental para a concepção secular moderna.
ZENIT: Quais são os fatores básicos da felicidade de um sacerdote?
Pe. Rossetti: Eu tive que fazer uma equação de regressão múltipla até encontrar as variáveis mais importantes. A primeira e mais forte foi a variável da “paz interior”. Os que transmitiam uma imagem positiva e uma sensação de paz interior foram os mais felizes entre os sacerdotes. Curiosamente, a minha pesquisa demonstrou que o item mais poderoso da paz interior é a relação pessoal com Deus. A correlação deu uma r=.55, que é uma correlação muito forte em ciências sociais. E de onde vem a paz interior? Quando você tem uma relação sólida com Deus, você tem muita paz interior. Jesus prometeu. “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”.
Foi muito emocionante para mim ver as verdades do Evangelho dispostas diante dos meus olhos em forma de estatísticas. Só encontramos a paz verdadeira e duradoura em Deus. E claro, também a relação pessoal com Deus foi um indicativo da felicidade. De novo uma correlação importante (r=.53). A nossa vida espiritual é um poderoso contribuinte para a paz interior e para a felicidade pessoal.
ZENIT: Qual é o papel das relações interpessoais, com a família, os amigos, os fiéis, na felicidade de um sacerdote?
Pe. Rossetti: Tem outra equação de regressão múltipla que eu fiz. Perguntei qual era o indicativo mais forte numa relação com Deus, qual variável parecia contribuir mais para uma relação positiva com Deus. A resposta foi clara: ter amigos próximos (a correlação foi de r=.46). Desenvolver uma relação sadia com os outros nos ajuda a nos conectar com Deus. O isolamento provoca infelicidade. Fomos feitos para nos relacionar com os outros. A ampla maioria dos sacerdotes pesquisados, mais de 90%, tem amizades sólidas com outros padres e com leigos. Uma das grandes alegrias e apoios para a vida de um sacerdote é a conexão com os outros. O conceito laicista de que os sacerdotes são pessoas solitárias, isoladas, não é verdade. A felicidade sacerdotal aumentou nos últimos anos e é provável que ela aumente mais ainda. Só 3,1% dos sacerdotes na pesquisa estava pensando em deixar o sacerdócio. Considerando a enorme pressão contra o sacerdócio na atualidade, e os muitos desafios reais, isto é muito importante.
ZENIT: E o celibato? Como ele se relaciona com a felicidade de um sacerdote?
Pe. Rossetti: Também foi interessante. Os sacerdotes chamados por Deus a viver uma vida célibe, apesar das dificuldades, parecem ser homens felizes. A correlação entre essa visão positiva do celibato e a felicidade sacerdotal foi r=.47. Mais de 75% dos sacerdotes consideram o celibato uma parte positiva da vida deles. Prevemos que essa porcentagem vai aumentar no futuro, já que são os sacerdotes jovens que defendem com mais energia o celibato. Ao contrário da mentalidade laicista, o apoio ao celibato sacerdotal aumentará no futuro nos sacerdotes dos Estados Unidos. Está desaparecendo esse tema “polêmico” entre os padres no país. Mas este é o desafio. Uma coisa é aceitar o celibato como uma parte necessária da vida do sacerdote, mas precisa de um profundo nível de espiritualidade para experimentar o celibato como um dom de Deus e uma graça pessoal. Uma profundidade de vida muito concreta. Refletindo nos resultados do estudo, eu me sinto muito inspirado pelo compromisso e pela vitalidade espiritual da vida desses padres. Esta é a verdadeira realidade das conclusões do estudo: os nossos sacerdotes são homens santos e felizes.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

REPOUSO EM DEUS...

"Só em Deus nossa alma tem repouso!"
É assim que Deus faz com quem tem a Ele como refúgio, quem coloca nele a sua confiança.

domingo, 25 de setembro de 2011

ALEMANHA: DISCURSO DO PAPA AOS JOVENS

Viagem apostólica de Bento XVI
FRIBURGO, sábado, 24 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o discurso que Bento XVI dirigiu hoje na vigília de oração com os jovens na Feira de Freiburg im Breisgau.
* * *
Queridos jovens amigos!
Durante todo o dia, pensei com alegria a esta noite, quando poderia estar aqui junto convosco e estar unido a vós na oração. Talvez alguns de vós tenham estado presentes na Jornada Mundial da Juventude, onde pudemos experimentar a singular atmosfera de serenidade, profunda comunhão e íntima alegria que caracteriza uma vigília nocturna de oração. Espero que possamos nós também fazer a mesma experiência neste momento: Que o Senhor nos toque e faça de nós testemunhas jubilosas, que rezam juntas e servem de suporte umas às outras não só nesta noite, mas durante toda a nossa vida.
Em todas as igrejas, nas catedrais e nos conventos, em toda a parte onde se reúnem os fiéis para a celebração da Vigília Pascal, a mais santa de todas as noites começa com o acendimento do círio pascal, cuja luz é transmitida a todos os presentes. Uma minúscula chama irradia-se para muitas luzes e ilumina a casa de Deus que estava às escuras. Neste maravilhoso rito litúrgico que imitámos nesta vigília de oração, desvenda-se-nos, através de sinais mais eloquentes do que as palavras, o mistério da nossa fé cristã. Jesus, que diz de Si próprio: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12), faz brilhar a nossa vida, para ser verdadeiro o que acabámos de ouvir no Evangelho: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14). Não são os nossos esforços humanos nem o progresso técnico do nosso tempo que trazem a luz a este mundo. Experimentamos sempre de novo que o nosso esforço por uma ordem melhor e mais justa tem os seus limites. O sofrimento dos inocentes e, enfim, a morte de cada homem constituem uma escuridão impenetrável que pode talvez ser momentaneamente iluminada por novas experiências, como a noite o é por um relâmpago; mas, no fim, permanece uma escuridão acabrunhadora.
Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, e todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão, aparentemente tão poderosa e insuperável. Cristo, que ressuscitou dos mortos, brilha neste mundo, e fá-lo de modo mais claro precisamente onde tudo, segundo o juízo humano, parece lúgubre e sem esperança. Ele venceu a morte – Ele vive – e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, tudo o que é escuro e ameaçador. Certamente quem acredita em Jesus não é que vê sempre só o sol na vida, como se fosse possível poupar-lhe sofrimentos e dificuldades, mas há sempre uma luz clara que lhe indica um caminho que conduz à vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e vêem já o fulgor dum novo dia.
A luz não fica sozinha. Ao seu redor, acendem-se outras luzes. Sob os seus raios, delineiam-se de tal modo os contornos do ambiente que nos podemos orientar. Não vivemos sozinhos no mundo. Precisamente nas coisas importantes da vida, temos necessidade de outras pessoas. Assim, de modo particular na fé, não estamos sozinhos, somos anéis na grande corrente dos crentes. Ninguém chega a crer, senão for sustentado pela fé dos outros; mas, por outro lado, com a minha fé contribuo para confirmar os outros na sua fé. Ajudamo-nos mutuamente a ser exemplo uns para os outros, partilhamos com os outros o que é nosso, os nossos pensamentos, as nossas acções, a nossa estima. E ajudamo-nos mutuamente a orientar-nos, a identificar o nosso lugar na sociedade.
Queridos amigos, diz o Senhor: «Eu sou a luz do mundo; vós sois a luz do mundo». É uma coisa misteriosa e magnífica que Jesus tenha dito de Si próprio e de cada um de nós a mesma coisa, ou seja, que «somos luz». Se acreditarmos que Ele é o Filho de Deus que curou os doentes e ressuscitou os mortos, antes, que Ele mesmo ressuscitou do sepulcro e está verdadeiramente vivo, então compreenderemos que Ele é a luz, a fonte de todas as luzes deste mundo. Nós, ao contrário, não cessamos de experimentar a falência dos nossos esforços e o erro pessoal, apesar das melhores intenções. Ao que parece, não obstante o seu progresso técnico, o mundo onde vivemos, em última análise, não se tem tornado melhor. Existem ainda guerras, terror, fome e doença, pobreza extrema e desalmada repressão. E mesmo aqueles que, na história, se consideraram «portadores de luz», mas sem ter sido iluminados por Cristo que é a única verdadeira luz, para dizer a verdade, não criaram paraíso terrestre algum, antes instauraram ditaduras e sistemas totalitários onde até a mais pequena centelha de humanismo foi sufocada.
Neste ponto, não devemos calar o facto de que o mal existe. Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida. Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade. Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem. Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios. Então como pode Cristo dizer que os cristãos – sem ter excluído os cristãos fracos e frequentemente tão tíbios –são a luz do mundo? Compreenderíamos talvez que Ele tivesse gritado: Convertei-vos! Sede a luz do mundo! Mudai a vossa vida, tornai-a clara e resplandecente! Não será caso de ficar maravilhados ao vermos que o Senhor não nos dirige um apelo, mas diz que somos a luz do mundo, que somos luminosos, que resplandecemos na escuridão?
Queridos amigos, o apóstolo São Paulo, em muitas das suas cartas, não tem receio de designar por «santos» os seus contemporâneos, os membros das comunidade locais. Aqui torna-se evidente que cada baptizado – ainda antes de poder realizar boas obras ou particulares acções – é santificado por Deus. No baptismo, o Senhora acende, por assim dizer, uma luz na nossa vida, uma luz que o Catecismo chama a graça santificante. Quem conservar essa luz, quem viver na graça, é efectivamente santo.
Queridos amigos, a imagem dos santos foi repetidamente objecto de caricatura e apresentada de modo distorcido, como se o ser santo significasse estar fora da realidade, ser ingénuo e viver sem alegria. Não é raro pensar-se que um santo seja apenas aquele que realiza acções ascéticas e morais de nível altíssimo, pelo que se pode certamente venerar mas nunca imitar na própria vida. Como é errada e desalentadora esta visão! Não há nenhum santo, à excepção da bem-aventurada Virgem Maria, que não tenha conhecido também o pecado e que não tenha caído alguma vez. Queridos amigos, Cristo não se interessa tanto de quantas vezes vacilastes e caístes na vida, como sobretudo de quantas vezes vos erguestes. Não exige acções extraordinárias, mas quer que a sua luz brilhe em vós. Não vos chama porque sois bons e perfeitos, mas porque Ele é bom e quer tornar-vos seus amigos. Sim, vós sois a luz do mundo, porque Jesus é a vossa luz. Sois cristãos, não porque realizais coisas singulares e extraordinárias, mas porque Ele, Cristo, é a vossa vida. Sois santos, porque a sua graça actua em vós.
Queridos amigos, nesta noite em que nos reunimos em oração ao redor do único Senhor, vislumbramos a verdade da palavra de Cristo segundo a qual não pode ficar escondida uma cidade situada no cimo de um monte. Esta assembleia brilha nos vários significados da palavra: quer no clarão de inúmeras luzes, quer no resplendor de tantos jovens que acreditam em Cristo. Uma vela só pode dar luz, se se deixar consumir pela chama; permaneceria inútil, se a sua cera não alimentasse o fogo. Permiti que Cristo arda em vós, ainda que isto possa às vezes implicar sacrifício e renúncia. Não tenhais medo de poder perder alguma coisa, ficando, no fim, por assim dizer de mãos vazias. Tende a coragem de empenhar os vossos talentos e os vossos dotes pelo Reino de Deus e de vos dar a vós mesmos – como a cera da vela –, para que o Senhor ilumine, por vosso meio, a escuridão. Sabei ousar ser santos ardorosos, em cujos olhos e coração brilha o amor de Cristo e que, deste modo, trazem luz ao mundo. Eu confio que vós e muitos outros jovens aqui na Alemanha sejam chamas de esperança, que não ficam escondidas. «Vós sois a luz do mundo». Amen.
[Copyright 2011 - ©Libreria Editrice Vaticana]

terça-feira, 13 de setembro de 2011

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO - Bispo e Doutor da Igreja

Celebramos hoje a memória de São João Crisóstomo (século IV), bispo e doutor da Igreja que recebeu o nome de "Boca de Ouro", devido a sua notável diligência e competência na arte de falar e escrever, para expor a doutrina católica e formar os fiéis na vida cristã.
Deixamos aqui um trecho das suas homilias.

"Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro"

Sobrevêm muitas ondas e fortes tempestades, mas não tememos afogar, pois estamos firmados sobre a pedra. Enfureça-se o mar, não tem forças para destruir a pedra. Ergam-se as vagas, não podem submergir o navio de Cristo. Pergunto eu: que temeremos? A morte? Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro (Fl 1,21). O exílio talvez, dizes-me? Do Senhor é a terra e tudo quanto contém (Sl 23,1). A confiscação dos bens? Nada trouxemos para o mundo e, é certo, nada daqui poderemos levar (1Tm 6,7); os pavores deste mundo são desprezíveis, e seus bens, merecedores de riso. Não tenho medo da pobreza, não ambiciono riquezas, não temo a morte, nem prefiro viver a não ser para vosso proveito. Por isto recordo os acontecimentos atuais e rogo a vossa caridade que tenhais confiança.
Não escutas o Senhor dizer: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei ali no meio deles? (Mt 18,20). E onde há tanta gente ligada pelos laços da caridade não estará ele presente? Tenho o seu penhor. Será que confio em minhas próprias forças? Seguro seu testamento. ESte é o meu bordão, a minha segurança, o meu porto tranquilo. Abale-se embora o universo, tenho sua resposta, leio os seus escritos: aí está a muralha para mim, a fortaleza. Que escritos? Eu estou convosco todos os dias até a consumação do mundo (Mt 28,20).


Cristo está comigo, a quem temerei? Mesmo que as ondas, o furor dos príncipes se agitem contra mim, tudo isto não me impressiona mais do que uma aranha. E se vossa caridade não me retivesse, não recusaria partir ainda hoje mesmo para outro lugar. Repito sempre: Senhor, faça-se a tua vontade (Mt 26,42); não o quer este ou aquele, mas o que tu queres. Esta é a minha torre, minha pedra imóvel; este o meu báculo firme. Se Deus quer isto, faça-se. Se quiser que permaneça aqui agradecerei. Onde quer que me queira, darei graças.


E onde estou eu, aí estais vós; onde estais, aí eu também: somos um só corpo e não se separa o corpo da cabeça, nem a cabeça do corpo. Estamos em lugares distantes, mas unidos na caridade, que nem a morte poderá separar. Porque, embora morra meu corpo, viverá a alma que lembrará do povo.


Vós sois meus cidadãos, vós, meu pais, vós, meus irmãos, vós, filhos, vós, membros, vós corpo. Para mim sois a luz, ou melhor, mais deliciosos que esta luz. O que poderá enviar-me um raio igual à vossa caridade? O raio de sol para mim é vida, porém vossa caridade tece-me a coroa para o futuro.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A VOCAÇÃO NA BÍBLIA (I)

1. DEUS TOMA A INICIATIVA...

Os autores bíblicos do AT nos contam os feitos das grandes figuras da história da salvação. Eles estavam convencidos da iniciativa divina na vocação. E deste modo, nos apresentam o próprio Deus falando de viva voz com seus eleitos. Mas, devido os acontecimentos da vida do povo da Bíblia, ser transmitido de geração em geração, torna-se hoje difícil sabermos, exatamente de que maneira Deus chamou. Contudo, o que os autores bíblicos buscam mostrar aos leitores da Sagrada EScritura é que de fato, a iniciativa do chamado a muitos homens e mulheres da história da salvação, foi do próprio Deus. O texto bíblico vai nos apontando um conjunto de fatores pelos quais se manifesta a vontade divina sem que haja dúvidas.
Temos, por exemplo, o caso de Samuel, em que Deus o chama três vezes em sonho. Relato típico dessa iniciativa divina. Porém não é algo mágico, mas que se dá num processo. No relato, conta-se o modo lento de Samuel despertar para o chamado que Deus lhe faz. Samuel sob a assitência de Heli, sente, pouco a pouco, no seu coração o chamado do Senhor.
Outro exemplo para nós conhecido é o de José do Egito, nele não encontramos uma intervenção extraordinária e evidente de Deus, mas José se entende, se sabe inspirado por Javé, na hora em que lhe pedem explicação de sonhos. Ele próprio faz uma leitura do ocorrido consigo; ele diz aos seus irmãos:"Vocês quiseram fazer-me o mal, porém Deus quis converter isto num bem, para acontecer o que hoje se vê: que fosse conservada a vida de um povo numeroso". A iniciativa divina não aparece aqui, portanto, por mera manifestação externa e evidente, mas por uma vida comum, na qual se revela uma providência, que só pode ser de Deus.
A iniciativa divina difere, de vocação para vocação; ora é mais evidente, ora é mais velada. Para Saul e Davi veio sua eleição por parte de Deus, em primeira instância, pela aparição inesperada do profeta Samuel, que os ungiu reis, dirigido por inspiração divina. Isaías narrou como o chamamento de Deus lhe veio expressamente por uma visão grandiosa. Jeremias já o recebeu mais veladamente por uma voz interna, na hora da meditação. Os evangelhos contam que para Maria, a mãe de Jesus, a iniciativa divina deu-se através da anunciação do anjo.
É também importante para nós ver como Deus tomou a iniciativa na vocação dos apóstolos: foi por um simples chamado de Cristo, mas carregado de uma força interna irresistível. Só aos poucos, com o evento da ressurreição, descobriram todo o seu sentido. Só aos poucos, reconheceram a presença de Deus em Cristo e em sua vocação. Mais tarde, tiveram a certeza de que foi a presença divina, que desde o começo os impulsionou para seguir a Jesus. Não o seguiram por própria iniciativa. O Mestre chamou quem quis: "não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que lhes escolhi".

REFLITA SOBRE ISTO:
* Como tem se manifestado a iniciativa de Deus na minha vocação?
* O que tem feito eu tomar consciência de que Deus poderia estar me chamando?
* Como se deu o início da minha vocação? O que relembro daquele momento? O que mudou em minha vida?

sábado, 25 de junho de 2011

O AMOR MAIOR

Mt 10,37-42
"Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. "Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem receber um profeta por ele ser profeta, terá uma recompensa de profeta. Quem receber um justo por ele ser justo, terá uma recompensa de justo. E quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não ficará sem receber sua recompensa".


Jesus exige ter um lugar preponderante na vida do discípulo. Este, porém, é desafiado a compreender o sentido dessa pretensão do Mestre. Fica descartada qualquer compreensão que signifique pensar o discípulo dependente dos caprichos do Mestre e suas imposições descabidas. Em momento algum, Jesus deixou-se levar por seus gostos e interesses. Tudo estava referido ao Pai.


Assim, amar a Jesus significa acolher a revelação do Pai, feita através de suas palavras e ações. E, mais, dar ouvidos aos ensinamentos voltados para as exigências do Reino, cujo objetivo é o de levar o discípulo a centrar-se sempre mais no Pai e na sua divina vontade. O amor do discípulo, voltado para o Mestre, tem como alvo o Pai.

Na eventualidade de haver conflito entre o ensinamento de Jesus e o que vem do pai terreno ou da mãe, do filho ou da filha, o discípulo sabe de que lado ficar. De forma alguma, o querer dos familiares sobrepujará o do Pai do céu. Caso isso aconteça, será indigno de se dizer discípulo de Jesus. A dinâmica do discipulado terá sido desfeita em sua vida. O discípulo fiel não terá medo de contrariar pai e mãe, se estes não estiverem sintonizados com o Reino.

Oração
PAI, QUE TEU FILHO E SEUS ENSINAMENTOS TENHAM PREPONDERÂNCIA EM MINHA VIDA, RELATIVIZANDO TUDO QUANTO NÃO CONDIGA COM TEU QUERER DIVINO.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA

Lc 1,57-66.80
"Quando se completou o tempo da gravidez, Isabel deu à luz um filho. Os vizinhos e os parentes ouviram quanta misericórdia o Senhor lhe tinha demonstrado, e alegravam-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: "Não. Ele vai se chamar João". Disseram-lhe: "Ninguém entre os teus parentes é chamado com este nome!" Por meio de sinais, então, perguntaram ao pai como ele queria que o meninos e chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome!" E todos ficaram admirados. No mesmo instante, sua boca se abriu, a língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. Todos os que ouviram a notícia ficavam pensando: "Que vai ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. O menino crescia e seu espírito se fortalecia. Ele vivia nos desertos, até o dia de se apresentar publicamente diante de Israel".


João Batista é o único santo, além da Virgem Maria, que se celebra o nascimento tanto para a terra, quanto para o céu. Segundo os evangelhos, é o maior dos profetas (Lc 7, 26-28), porque pôde apresentar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29. 36). Sua vocação reveste-se de acontecimentos extraordinários, repletos de júbilo messiânico, que preparam o nascimento de Jesus (cf. Lc 1, 14. 58). João é precursor de Cristo pela palavra e pela vida (Mc 3, 11). A data da festa, três meses após a Anunciação do Senhor, e seis meses antes do Natal, corresponde às indicações de Lucas (Lc 1, 36. 56-57). Era filho de Zacarias e de Isabel.
Esta narrativa pode ter sua origem dentre os discípulos de João Batista, onde circulava após sua morte. Fica realçada a originalidade de João Batista: "Que vai ser deste menino?" Zacarias era sacerdote do templo de Jerusalém. João, filho único, deveria receber o nome do pai, bem como manter a sua linhagem sacerdotal hereditária. Contudo, conforme o anúncio do anjo, o nome que lhe dão é João. Um nome diferente que já prenuncia a ruptura com o sacerdócio e com o templo de Jerusalém. No Segundo Testamento, depois do nome de Pedro, o nome de João Batista é o mais citado, ultrapassando muito as demais ocorrências dos nomes dos próprios apóstolos.

Oração
PAI, TOMA-ME SOB A TUA PROTEÇÃO E ROBUSTECE-ME COM O TEU ESPÍRITO, DE MODO QUE EU POSSA CUMPRIR, COM CORGEM E FIDELIDADE, AS TAREFAS DO REINO QUE ME SÃO CONFIADAS.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A VERDADEIRA COMIDA

Jo 6,51-58
"Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo". Os judeus discutiam entre si: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?" Jesus disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, assim aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram - e no entanto morreram. Quem se alimenta com este pão viverá para sempre".



A solenidade do Corpo de Cristo confronta o discípulo com um traço essencial de sua identidade: o corpo do Mestre é a fonte de onde se alimenta. Porém, é preciso compreender, corretamente, do que se trata para evitar mal-entendidos, como no início do cristianismo, quando os cristãos foram acusados de canibalismo.


Trata-se de uma experiência espiritual. O discípulo é chamado a conformar sua vida com a do Mestre. É a assimilação do modo de ser do Mestre, no que tem de comunhão com o Pai e disposição para ser, em tudo, obediente a seu querer. É a solidariedade misericordiosa com os sofredores deste mundo, a quem se acode com gestos concretos de solidariedade. É a liberdade diante das coisas mundanas, com a disposição de contrariá-las sempre que estiverem na contramão do Reino.


A Eucaristia cristã é o sacramento da disposição de se deixar alimentar pelo Corpo de Cristo e ser transformado por ele. A abertura para Deus e o trato misericordioso com o próximo serão as indicações autênticas de que o discípulo foi alimentado com o corpo do Mestre.



Oração

PAI, QUE O CORPO DE CRISTO SEJA O ALIMENTO QUE RADICALIZE MINHA COMUNHÃO CONTIGO E ME TORNE SEMPRE MAIS SOLIDÁRIO COM OS CARENTES DE MISERICÓRDIA.

domingo, 19 de junho de 2011

DEUS REVELADO POR JESUS

Jo 3,16-18
"De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem crê nele não será julgado, mas quem não crê já está julgado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus".



A fé do povo de Israel baseou-se, desde o iníio, numa concepção pessoal de Deus. A experiência fundante foi a saída do Egito, terra da escravidão, em direção à Terra Prometida, terra de fraternidade. Esta experiência de libertação é determinante para a teologia bíblica. Tudo decorrerá daí. O Deus libertador é quem dá a Lei a Israel; garante a conquista da terra; oferece um rei ao povo; castiga o povo, quando erra. Sobretudo, está sempre pronto a perdoar, cada vez que o pecador se dispõe à conversão.


Este é o ponto de partida para a "fé" de Jesus. Entretanto, ele vai muito além, revelando o rosto do Deus Trindade. Não se trata de outro Deus. É, simplesmente, a comunicação da forma como experimentava Deus em sua vida. Reconhecia-o ser o Pai, que o acolheu como Filho amado, de modo que a humanidade do Filho passou a fazer parte da realidade do Pai. E, mais, o Espírito Santo que une o Pai e o Filho é doado à humanidade, como força para incentivar a caminhada, nos passos do Filho.


Cada discípulo é chamado a fazer experiência semelhante á do Mestre. De certa forma, o discipulado consuma-se quando se atinge a imagem de Deus revelada por Jesus e, mais, é tranformada em projeto de vida. Afinal, os discípulos são chamados a se inspirar no modo de ser da Trindade nas relações interpessoais. A fé cristã, portanto, está totalmente ligada à ética dos discípulos. Quanto mais reconhecem o Deus revelado por Jesus, tanto mais se esforçam por viver o mesmo amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.



Oração


PAI, QUE A COMPREENSÃO DE TIA IDENTIDADE, RVELADA PELO FILHO JESUS, LEVE-ME A CONFORMAR A MINHA VIDA COM A FÉ, DE MODO A ME PAUTAR SEMPRE PELO AMOR TRINITÁRIO.