quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pai e filho celebrando a graça da VIDA

80 anos de Sr. Luíz Pinto e 40 anos de Pe. Pinto Júnior, sj


No dia 30 de março a família PINTO se reuniu na “FAZENDA TOURO” ( tudo muito animal), para celebrar os oitenta anos de Sr. Luiz Pinto. Foi escolhido esse local, pois foi onde ele nasceu e se criou e formou a sua alma sertaneja de resistências, lutas e vitórias.
A festa começou com a celebração da Eucaristia às 10:30, contando com a presença das famílias Pinto e Cruz ( de sua mãe), amigos(as) e companheiros jesuítas (Pe. Marcelino, Pe. Marcos e Agnaldo), seguido de almoço com música ao vivo. Tudo num clima ecumênico (na família tem evangélicos), festivo e prazeroso. A eles os nossos PARABÉNS!
Confira as fotos!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

45º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Rezem pelas vocações!
Promovam vocações!

Tema: "As vocações a serviço da Igreja-Missão"

Mensagem de Bento XVI para o 45º Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Caros irmãos e irmãs!
1. Tendo em vista o Dia Mundial de Orações pelas Vocações, que será celebrado em 13 de Abril de 2008, escolhi o tema: As vocações a serviço da Igreja- missão. Aos Apóstolos Jesus ressuscitado confiou o mandato: “Ide, pois, fazei discípulos meus entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e assegurando: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). A Igreja é missionária no seu conjunto e em cada um dos seus membros. Se, graças aos sacramentos do Batismo e da Confirmação, cada cristão é chamado a testemunhar e a anunciar o Evangelho, a dimensão missionária é especialmente e intimamente ligada à vocação sacerdotal. Na aliança com Israel, Deus confiou a homens selecionados, chamados por Ele e enviados ao povo em seu nome, a missão de serem profetas e sacerdotes. Assim fez, por exemplo, com Moisés: “E agora, vai! – lhe disse Javé – Eu te envio ao Faraó [...] para que libertes meu povo, [...] quando tiveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus sobre esta montanha”. (Ex 3,10. 12). Igualmente acontece com os profetas.
2. As promessas feitas aos pais se realizaram plenamente em Jesus Cristo. A este respeito, afirma o Concílio Vaticano II: “Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que n’Ele nos escolheu antes de criar o mundo, e nos predestinou para sermos filhos adotivos [...] Por isso, Cristo para cumprir a vontade do Pai, inaugurou na terra o Reino dos Céus e revelou-nos o seu mistério, realizando-o, com a própria obediência, a redenção” (Const. Dogm. Lumen Gentium, 3). Durante a pregação na Galiléia, na vida pública, Jesus escolheu os discípulos como seus diretos colaboradores no ministério messiânico. Por exemplo, na multiplicação dos pães, quando disse aos Apóstolos: “Dai-lhes vós mesmo de comer” (Mt 14,16), animando-os assim, a assumir o peso das necessidades das multidões, às quais queria oferecer o alimento para saciar-lhes a fome, mas também revelar o alimento “que dura para a vida eterna” (Jo 6,27). Movia-se de compaixão pelo povo, porque, ao percorrer cidades e aldeias, via multidões cansadas e abatidas, “como ovelhas sem pastor” (cf Mt 9,36). Do seu olhar de amor brotava o convite aos discípulos: “Pedí ao Senhor da messe, que mande operários para sua messe” (Mt 9,38), enviando antes os Doze, com precisas instruções, “às velhas perdidas da casa de Israel”. Se nos detemos a meditar esta página do Evangelho de Mateus, conhecida comumente como “discurso missionário”, observamos todos aqueles aspectos que caracterizam a atividade missionária de uma comunidade cristã, que deseja ser fiel ao exemplo e ao ensinamento de Jesus. Corresponder ao chamado do Senhor supõe enfrentar cada perigo com prudência e simplicidade, e inclusive as perseguições, pois “um discípulo não é mais que seu mestre, nem um servo mais que o seu patrão” (Mt 10,24). Feitos uma coisa só com o Mestre, os discípulos não ficam sós para anunciar o Reino dos Céus, mas é o mesmo Jesus que age neles: “Quem vos acolhe, a mim acolhe; e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou” (Mt 10, 40). Além disso, como verdadeiras testemunhas, “revestidos da força do alto” (Lc 24,49), estes pregam “a conversão e o perdão dos pecados” (Lc 24,47) a todos os povos.
3. Precisamente por terem sido enviados pelo Senhor, os Doze receberam o nome de “apóstolos”, chamados a percorrer os caminhos do mundo anunciando o Evangelho, como testemunhas da morte e ressurreição de Cristo. Escreve São Paulo aos cristãos de Corinto: “Nós – isto é os Apóstolos – anunciamos Cristo crucificado” (1Cor 1,23). Neste processo de evangelização, o Livro dos Atos dos Apóstolos considera também muito importante o papel de outros discípulos, cuja vocação missionária surge através circunstânciasprovindenciais, às vezes dolorosas, como a expulsão da própria terra enquanto seguidores de Jesus (cf. 8,1-4). O Espírito Santo permite transformar esta prova em ocasião de graça, fazendo com que o nome do Senhor seja anunciado a outros povos, ampliando assim o círculo da comunidade cristã. Trata-se de homens e de mulheres que, como escreve Lucas no livro dos Atos, “arriscaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (15,26). O primeiro entre todos, chamado pelo Senhor mesmo para ser um verdadeiro Apóstolo, é, sem dúvida, Paulo de Tarso. A história de Paulo, o maior missionário de todos os tempos, descreve, em muitos aspectos, qual seja o nexo entre a vocação e a missão. Acusado pelos seus adversários de não ter sido autorizado para o apostolado, ele mesmo, repetidas vezes, apela ao chamado recebido diretamente pelo Senhor (cf. Rm 1,1; Gal 1,11-12.15-17).
4. O que “impeliu” os Apóstolos no início, e no decorrer dos tempos, foi sempre “o amor de Cristo” (cf. 2Cor 5,14). Como fiéis servidores da Igreja, dóceis à ação do Espírito Santo, muitos missionários, ao longo dos séculos, seguiram as pegadas dos primeiros discípulos. Observa o Concílio Vaticano II: “Embora todo discípulo de Cristo incumba-se da obrigação de difundir a fé conforme as suas possibilidades, Cristo Senhor chama sempre dentre os discípulos os que ele quer para estarem com ele e os enviarem a evangelizar os povos (cfr Mc 3,13-15)” (Decr. Ad gentes, 23). De fato, o amor de Cristo foi comunicado aos irmãos, com exemplos e palavras - com toda a vida. “A vocação especial dos missionários ad vitam – escreveu o meu venerável Predecessor João Paulo II - conserva toda a sua validade: representa o paradigma do compromisso missionário da Igreja, que sempre tem necessidade de doações radicais e totais, de ímpulsos novos e corajosos” (Enc. Redemptoris missio, 66).
5. Entre as pessoas que se dedicam totalmente a serviço do Evangelho estão, de modo particular, muitos sacerdotes chamados para anunciar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Reconciliação, dedicados ao serviço dos mais débeis, dos doentes, dos sofredores, dos pobres e dos que passam por momentos difíceis, em regiões da terra onde ainda hoje existem multidões que não tiveram um verdadeiro encontro com Cristo. Para estes, os missionários levam o primeiro anúncio do seu amor redentor. As estatísticas testemunham que o número dos batizados aumenta cada ano, graças à ação pastoral destes sacerdotes, inteiramente consagrados à salvação dos irmãos. Neste contexto, seja dado um especial reconhecimento “aos presbíteros fidei donum que edificam a comunidade, com competência e generosa dedicação, anunciando-lhe a palavra de Deus e repartindo o pão da vida, sem pouparem as suas energias ao serviço da missão da Igreja. Por fim, é preciso agradecer a Deus pelos numerosos sacerdotes que tiveram de sofrer até ao sacrifício da vida por servir a Cristo [...]. Trata-se de comoventes testemunhos que poderão inspirar muitos jovens a seguirem por sua vez a Cristo e gastarem a sua vida pelos outros, encontrando precisamente assim a vida verdadeira.” (Exort. ap. Sacramentum caritatis, 26). Desta forma Jesus, através dos seus sacerdotes, se faz presente entre os homens de hoje, até às mais distantes extremidades da terra.
6. Não são poucos os homens e as mulheres que, desde sempre na Igreja, movidos pela ação do Espírito Santo, escolheram de viver radicalmente o Evangelho, professando os votos de castidade, pobreza e obediência. Esta multidão de religiosos e de religiosas, pertencentes a numerosos Institutos de vida contemplativa e ativa, tem tido “até agora uma parte importantissima na evangelização do mundo” (Decr. Ad gentes, 40). Com a oração perseverante e comunitária, os religiosos de vida contemplativa intercedem incessantemente pela inteira humanidade; os de vida ativa, com suas múltiplas formas de ação caritativa, levam a todos o testemunho vivo do amor e da misericórdia de Deus. Diante destes apóstolos do nosso tempo, o Servo de Deus Paulo VI, pôde dizer: “Graças à sua consagração religiosa, eles são por excelência voluntários e livres para deixar tudo e ir anunciar o Evangelho até as extremidades da terra. Eles são empreendedores, e o seu apostolado é muitas vezes marcado por uma originalidade e por uma feição própria, que forçosamente lhes granjeiam admiração. Depois, eles são generosos: encontram-se com freqüência nos postos de vanguarda da missão e a arrostar com os maiores perigos para a sua saúde e para a sua própria vida. Sim, verdadeiramente a Igreja deve-lhes muito” (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 69).
7. Além disso, para que a Igreja possa continuar a missão que lhe foi confiada por Cristo e não faltem os evangelizadores que o mundo necessita, será oportuno que nas comunidades cristãs, nunca falte uma constante educação na fé das crianças e dos adultos; é necessário manter vivo nos fiéis um sentido ativo de responsabilidade missionária e de participação solidária com os povos da terra. O dom da fé chama todos os cristãos a cooperarem na evangelização. Esta consciência seja alimentada através da pregação e da catequese, pela liturgia e por uma constante formação na oração; seja incrementada com o exercício da acolhida, da caridade, do acompanhamento espiritual, da reflexão e do discernimento, como também com a elaboração de um plano de pastoral, do qual faça parte integrante o cuidado das vocações.
8. Somente num terreno espiritualmente bem cultivado brotam as vocações para o sacerdócio ministerial e para a vida consagrada. De fato, as comunidades cristãs, que vivem intensamente a dimensão missionária do mistério da Igreja, jamais serão levadas a fechar-se em si mesmas. A missão, como testemunho do amor divino, se torna particularmente eficaz quando é partilhada comunitariamente, “para que o mundo creia” (cfr Jo 17,21). A graça das vocações é o dom que a Igreja invoca diariamente ao Espírito Santo. Desde o seu início a comunidade eclesial, recolhida em torno à Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, d’Ela aprende a implorar do Senhor o florescimento de novos apóstolos, que saibam viver no seu íntimo aquela fé e aquele amor necessários para a missão.
9. Ao confiar esta reflexão a todas as comunidades eclesiais para que a façam suas e, sobretudo, para suscitar subsídios de oração, encorajo o empenho de todos que trabalham com fé e generosidade ao serviço das vocações e, de coração, envio aos formadores, aos catequistas e a todos, especialmente aos jovens na caminhada vocacional, uma especial Benção Apostólica.

Vaticano, 3 de Dezembro de 2007

BENEDICTUS PP. XVI

Bispos no Brasil querem colher 1,2 milhão de assinaturas a favor da ética na política

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) promoveu o lançamento esta quarta-feira de uma grande iniciativa popular que pretende se tornar um projeto de lei a favor da ética na política.
A idéia do novo projeto de lei popular surge na seqüência da Lei 9.840, promulgada em 1999, quando um milhão de brasileiros subscreveram a iniciativa que hoje combate a compra de votos e o uso da máquina administrativa nas eleições no país.
«Mais de um milhão de brasileiros tornaram possível a punição de mais de seiscentos políticos que foram surpreendidos comprando votos ou desviando os bens da Administração Pública em proveito de suas candidaturas», explicou o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha.
O arcebispo de Mariana destacou que «é chegado o momento de dar mais um passo além».
O novo projeto tornaria inelegíveis, durante os trâmites do processo, os políticos condenados pela Justiça em primeira instância. Os políticos processados diretamente pelo Ministério Público também estariam impedidos de ir às urnas enquanto aguardam julgamento.
Prevê ainda a inelegibilidade dos políticos que vierem a renunciar de seus cargos públicos para escapar de possíveis punições por quebra de decoro.
«Na base da nova iniciativa está a idéia de que os que respondem a processos criminais por delitos graves devem ser afastados temporariamente da vida política até que solucionem seus problemas judiciais», explicou Dom Geraldo Lyrio.
Segundo o presidente da CNBB, não se trata de «considerar culpado alguém que ainda não esgotou todas as suas possibilidades de defesa, mas de prevenir o possível ingresso nos cargos públicos de pessoas com pendências na Justiça».
«Essa medida tão simples, junto com outras previstas na nova iniciativa popular, nos ajudará a fortalecer ainda mais a nossa democracia, consolidando a ética do serviço ao próximo e ao bem como a base da participação na vida política», afirmou.
Na base do novo projeto de lei de iniciativa popular está o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma rede de entidades da sociedade, da qual fazem parte a CNBB e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outras instituições.
O presidente da OAB, Raimundo Cezar Britto Aragão, destacou a simbologia da iniciativa.
Segundo Cezar Britto, não se trata «simplesmente de encaminhar um projeto de lei para o Congresso e ficar aguardando o resultado, mas chamar o povo à reflexão e pedir que o povo participe mais ativamente da vida política».

terça-feira, 8 de abril de 2008

...violência contra criança é sinal de decadência moral, decadência da civilização.”

O arcebispo dom Odilo cherer recomendou serenidade em relação à morte da menina Isabella – que, como filha de mãe católica moradora na zona norte, era uma arquidiocesana –, encontrada morta no prédio onde residem o pai e a madrasta. “É lamentável a morte de uma criança. Não importa a forma como aconteceu. É sempre lamentável. Seja assassinada, seja por doença, uma criança morrer é sempre muito triste”, disse. “Em relação ao caso de Isabella, devemos ser cautelosos para não cometer injustiças e não sermos nós eventualmente participantes de uma onda de criminalização que acontece muitas vezes sob a emoção, sem se ter ainda clareza sobre o que aconteceu. Evidentemente, o fato acontecido está sendo investigado, levantamse hipóteses, mas não se tem ainda certeza. Aguardemos que seja averiguado o que aconteceu”, continuou. “Independentemente do que tenha acontecido, fica a recomendação de que não pode haver violência contra crianças. Eu não estou dizendo que houve. Mas independentemente do que houve, violência contra criança é sinal de decadência moral, decadência da civilização.” “Claro, não vamos generalizar isso, às vezes acontecem situações de desequilíbrio. Mas quando acontecem de maneira calculada, fria, é uma agressão prepotente contra um ser indefeso frágil. Eu até diria: Deus tem ciúme das crianças. Jesus no Evangelho deixou isso muito claro. Deus ama as crianças com uma predileção muito especial, de modo que a violência contra as crianças devem ser evitada”, declarou

A Igreja quer se "colocar em estado de missão"

As diretrizes da evangelização no Brasil para os próximos quatro anos incorporam um elemento essencial sublinhado pela Conferência de Aparecida: o estado permanente de missão.
Foi o que explicou esta terça-feira o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em coletiva de imprensa na 46ª Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O episcopado reúne-se até esta sexta-feira em Itaici (interior de São Paulo).
Um dos principais objetivos da assembléia é aprovar o texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, documento pré-elaborado pela CNBB que passa por revisões e emendas dos bispos estes dias.
Segundo Dom Walmor, que é presidente da Comissão para Doutrina da Fé do organismo episcopal brasileiro, uma das grandes novidades do texto é incorporar de modo mais concreto e coerente com a realidade do país as indicações da Conferência de Aparecida.
O arcebispo explicou que a redação das novas diretrizes visa a atualizar a ação pastoral da Igreja para um «caminho missionário». O documento ajudará a concretizar «no chão missionário da nossa Igreja» o Documento de Aparecida.
Trata-se de um trabalho que visa a criar uma «mentalidade» e «uma ação pessoal», em que cada cristão batizado, «discípulo e discípula de Jesus Cristo», sinta-se «em missão diariamente».
«É muito importante estabelecer uma dinâmica forte, interna», em que cada comunidade, «a partir de dentro dela mesmo, volte-se para fora dela, sobretudo na direção dos mais pobres, dos mais distantes, num dinamismo de ir ao encontro, seja para o diálogo, para a escuta, para a oração, para o comprometimento.»
Segundo o arcebispo, tudo isso é sempre resultado de uma experiência: «o ser discípulo-missionário de Cristo».
«A espiritualidade própria do ser discípulo-missionário de Jesus Cristo é singular», remete «à fonte inesgotável do Evangelho, de tal maneira que critérios são mudados, modos de ser e de considerar as questões, de pertencer, viver e dar testemunho da fé».
«Nesta espiritualidade própria do discípulo, o elemento importante e fundamental é o encontro pessoal com Cristo vivo», considera o Dom Walmor. Conseqüente a isso, há a «força do testemunho vivido».
Já o cardeal Odilo Scherer acrescentou que se trata de um «redescobrir aquilo que é a própria Igreja»; ou seja, trata-se de uma «mudança de mentalidade».
A Igreja quer se «colocar em estado de missão». «Devemos todos nos considerar em estado permanente de missão», como discípulos que se fazem também missionários, afirmou.

A pobreza e a fome são "uma ofensa à dignidade humana".

Esse foi o teor do discurso do observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, Dom Celestino Migliore. Ele interveio no dia 4 de abril, em Nova York, na 62ª sessão da Assembléia Geral da ONU, durante o debate sobre o tema "Reconhecer os êxitos, enfrentar os desafios e recuperar o rumo para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2015".Em seu discurso, o arcebispo recordou que já estamos na metade do caminho desde que, em 2000, chefes de Estado e de governo entraram em consenso sobre "uma série ambiciosa, mas necessária, de objetivos para o desenvolvimento global a serem alcançados até 2015".Apesar de alguns progressos registrados, Dom Migliore reconhece que "a extrema pobreza, a fome, o analfabetismo e a falta de assistência médica ainda são muito difusos e inclusive pioraram em algumas regiões".A Santa Sé, recordou o arcebispo, continua ativamente empenhada em aliviar esses problemas, "que são uma ofensa à dignidade humana", e "não deixará de destacar tais necessidades fundamentais, de modo que permaneçam no centro da atenção internacional e sejam enfrentadas como uma questão de justiça social".Nesse sentido, o representante vaticano considera necessária "uma maior solidariedade internacional se o objetivo é conseguir limitar o crescente abismo entre países ricos e pobres e entre os indivíduos dentro de um mesmo país".Entre os progressos obtidos, Dom Migliore citou o acesso universal à educação primária, ainda que 58 países não poderão alcançá-lo até 2015.A educação, constatou, "está na base de todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e é o instrumento mais eficaz para fazer com que os homens e mulheres possam conseguir uma maior liberdade social, econômica e política. Os governos e a sociedade civil, o setor privado, os pais e os educadores devem intervir na educação das futuras gerações para prepará-las a enfrentar os desafios de uma sociedade cada vez mais globalizada".Dom Migliore recordou que "milhares de instituições educativas da Igreja Católica estão situadas nas cidades mais degradadas e nas mais remotas aldeias, na periferia das grandes metrópoles e em lugares nos quais as crianças estão obrigadas a trabalhar para sobreviver"."Mais que conversas e reuniões, a conquista dos Objetivos do Milênio exigem empenho e ação concreta. Nossa luta global contra a pobreza não é simplesmente um ato de generosidade e altruísmo: é uma conditio sine qua non para um futuro melhor em um mundo mais justo para todos", concluiu.
www.radiovaticana.org

Na mesa da Palavra

Jo 6,30-35

O pão e a bebida são os alimentos de que precisamos para viver. Porém, “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Dt 8,3). O único alimento capaz de saciar o anseio, que todos trazemos, de vida em plenitude é a união com Deus. É precisamente isso que Cristo veio trazer.
O “pão da vida” é a palavra de Jesus e é também o seu corpo, a eucaristia. A sua palavra nos mostra o caminho a ser trilhado para essa união com Deus, e a eucaristia é a própria antecipação dessa união, que só será plena na vida eterna. Alimentemo-nos então não apenas do pão que se perde, mas da palavra e do corpo de Jesus, que permanecem para a eternidade.

Pe. D. Justino Silva de Souza, OSB

sábado, 5 de abril de 2008

Bíblia não está escrita para fazer ciência, mas para dar salvação»

Comentário do Pe. Cantalamessa
III Domingo de Páscoa

Atos 2, 14a.22-28; 1 Pedro 1, 17-21; Lucas 24, 13-35
Explicou-lhes as Escrituras
«Acaso não ardia nosso coração enquanto falava conosco, no caminho, quando nos explicava as Escrituras?». Desejamos refletir precisamente sobre este ponto do Evangelho relativo aos discípulos de Emaús: as Escrituras. Há duas formas de aproximar-se da Bíblia. A primeira é considerá-la um livro antigo, cheio de sabedoria religiosa, de valores morais e também de poesia. Deste ponto de vista, é absolutamente o livro mais importante para compreender nossa cultura ocidental e a religião judaico-cristã. É também o livro mais impresso e mais lido de toda a humanidade.
Mas existe outra forma, muito mais comprometida, de aproximar-se da Bíblia; é a de crer que ela contém a Palavra viva de Deus para nós. Que é um livro «inspirado», isto é, escrito, sim, por autores humanos, com todos os seus limites, mas com a intervenção direta de Deus. Um livro muito humano e, por sua vez, que fala ao homem de todos os tempos, e lhe revela o sentido da vida e da morte.
Sobretudo lhe revela o amor de Deus. Se todas as Bíblias do mundo, dizia Santo Agostinho, por algum cataclismo, fossem destruídas e sobrasse uma só cópia, e desta já não fosse legível mais que uma página, e de tal página só uma linha, se esta linha é a da primeira Carta de João, onde está escrito: «Deus é amor», toda a Bíblia teria sido salva, porque ela se resume nisso. Isso explica por que tantas pessoas se encaminham à Bíblia sem cultura, sem grandes estudos, com simplicidade, com fé em que é o Espírito Santo quem fala nela, e aí encontram respostas a seus problemas, luz, alento, em uma palavra: vida.
As duas formas de aproximar-se da Bíblia – a erudita e a da fé – não se excluem; mais ainda, devem manter-se unidas. É necessário estudar a Bíblia, os modos em que se pode interpretá-la (ou levar em conta os resultados de quem assim a estuda), para não cair no fundamentalismo. O fundamentalismo consiste em tomar um versículo da Bíblia literalmente e aplicá-lo assim às situações de hoje, sem considerar a diferença de cultura, de tempo, os diferentes gêneros literários da Bíblia. Crê-se, por exemplo, que o mundo tem pouco mais de 4 mil anos de idade, porque são os anos que se desprendem da Bíblia, ainda que sabemos que, se falamos de anos, o mundo tem vários bilhões, só que a Bíblia não está escrita para fazer ciência, mas para dar salvação. Deus, na Bíblia, adaptou-se a falar da forma em que os homens do tempo pudessem entender; não escreveu só para os homens da era tecnológica.
Por outro lado, contudo, reduzir a Bíblia a um mero objeto de estudo e de erudição, permanecendo neutros diante da sua mensagem, significa matá-la. Seria como se um namorado que recebeu uma carta de amor de sua namorada começasse a examiná-la com o dicionário, desde o ponto de vista da gramática e da sintaxe, e se detivesse nestes aspectos, sem perceber o amor que contém. Ler a Bíblia sem fé é como abrir um livro em plena noite: não se vê nada, ou ao menos não o essencial. Ler a Escritura com fé significa lê-la com referência a Cristo, captando, em cada página, aquilo que tem a ver com Ele. Como Ele fez com os discípulos de Emaús.
Jesus ficou entre nós de duas maneiras: na Eucaristia e na sua Palavra. Em ambas Ele está presente: na Eucaristia em forma de alimento, na Palavra em forma de luz e de verdade. A Palavra tem uma grande vantagem sobre a Eucaristia. Da comunhão não se podem aproximar mais que os que já crêem e estão em estado de graça; da Palavra de Deus, ao contrário, podem se aproximar todos, crentes e não-crentes, casados e divorciados. E mais ainda, para chegar a ser crente, o meio mais normal é precisamente o de escutar a Palavra de Deus.
[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri]